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Ansiolítico urbano: Praças. Palcos para a retoma

Na primeira “ansiedade” de 2012 trago as cidades e os espaços públicos de referência como motivo para encarar o futuro com cabeça alta e sorriso posto. Se ilustração houvesse, as praças do Magrebe seriam bom mote e, delas, a Place Jemaa el Fna em Marrakech talvez seja o expoente máximo de vitalidade urbana.

Ana Bonifácio, arquitecta urbanista ab@anabonifacio.com

Na primeira “ansiedade” de 2012 trago as cidades e os espaços públicos de referência como motivo para encarar o futuro com cabeça alta e sorriso posto. Se ilustração houvesse, as praças do Magrebe seriam bom mote e, delas, a Place Jemaa el Fna em Marrakech talvez seja o expoente máximo de vitalidade urbana. Pese embora o seu nome signifique assembleia dos mortos – conta a História das muitas estórias de execuções públicas –, a cada curto minuto que passa, vários excertos de vidas esparsas se apressam em fazer apresentar. É uma espécie de “plataforma de magia quotidiana colectiva” onde parece caber tudo.

É por isso que, a abrir 2012, contrario os que afirmam que a sociedade moderna não necessita de centralidades espaciais e afirmo que repensá-las pode criar essa “mágica” que 1) gera vida, logo; 2) gera troca, (re)comércios e novas funções, logo; 3) cria factores de diferenciação dos territórios, logo; 4) promove atractividade e (sã) competição entre eles, logo; 5) gera investimento e, certeiro, proveitos e mais-valias. Básico (talvez) mas possível.

Nestes “cartões-de-visita vivos”, a somar às velhas práticas quotidianas, há que permitir fertilizar novas formas de “consumir” a cidade, de preferência cruzadas e simultâneas, que facilitem uma espécie de “transutilização” que se afirma como trunfo não só dos cidadãos mas dos que prestam contas públicas.

(texto publicado na edição em papel de 6 de Janeiro de 2012)