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Rosto de Francisco Rebelo dos Santos

Francisco Rebelo dos Santos

Diretor do REGIÃO DE LEIRIA

Não há festa como esta

Uma coisa é o que a festa é, outra coisa é o que a festa devia ser num ano de pandemia, onde as proibições e os cancelamentos fazem parte deste tempo

A festa do Avante é grande, tem um espaço de influência maior do que o próprio PCP. É uma iniciativa que colhe simpatias à direita e à esquerda. É muito mais que um mero encontro político. É cultura, é recreio, é arte, é tradição. A festa é grande, incomparável com a rentrée dos outros partidos.

Uma coisa é o que a festa é, outra coisa é o que a festa devia ser num ano de pandemia, onde as proibições e os cancelamentos fazem parte deste tempo. Há centenas de festas e encontros cancelados, desde as tradicionais romarias aos mais irreverentes festivais de música.

Os políticos, os partidos, os governantes, os dirigentes, todos aqueles que têm responsabilidade de liderança, ou de militância partidária, devem ser os primeiros a recusar situações de exceção que os beneficiem. Este princípio de cidadania é uma regra elementar que transforma valores em exemplos.

Numa altura em que há “um novo normal”, em que cada grupo de pessoas é um potencial foco de contágio, espera-se que os políticos sejam os primeiros a cumprir regras e a ter bom senso.

Depois da festa do Avante, o que vão argumentar os nossos governantes para recomendar espetáculos sem público? Depois do Avante ainda se justificam alertas que apelam ao afastamento social? O pós-avante corre o risco de ser confundido com o pós-pandemia, como se por milagre tudo estivesse como há um ano.

O alerta “Sabes quem também vai à festa? O covid”, afixado pela Câmara de Leiria no centro da cidade, perdeu a validade e o sentido, é apenas uma ironia dum tempo marcado por sinais contraditórios.

A geringonça de interesses pode ir avante com exceções feitas à sua própria medida, mas jamais apagará a falta de coerência da classe política.