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Rosto de Francisco Rebelo dos Santos

Francisco Rebelo dos Santos

Diretor

O Pedro e o lobo

A bondade dos avisos e dos responsáveis da proteção civil é louvável e merecedora de reconhecimento público, mas sobra como evidência que a mensagem, os mensageiros e os suportes utilizados devem ser repensados.

A frenética regularidade dos avisos meteorológicos invadiu há muito o espaço mediático, fazendo criar a ideia da inevitabilidade de mais um dia com chuva e rajadas de vento.

Tem sido assim durante a época de outono/inverno, mas já antes conhecíamos realidade idêntica nos meses de primavera/verão, com os picos de calor. O princípio de fenómeno regular acaba desta forma por interiorizar-se no quotidiano, obstaculizando a importância da mensagem e as necessárias medidas preventivas a adotar por parte da população, perante a iminência de ameaças sérias.

Os próprios agentes da proteção civil e as entidades ligadas a todo o seu ecossistema podem absorver também como algo normal o que se anuncia como excecional e potencialmente perigoso. De resto, como é bom de ver, ainda há poucos dias, os próprios protagonistas da proteção civil e as autoridades em geral foram apanhados de surpresa pela violência da depressão Kristin. Provavelmente admitiram que seria apenas mais uma noite de vendaval.

O envio de alertas através de mensagens distribuídas por milhares de telemóveis banalizou-se, devido a formas e conteúdos semelhantes.

A bondade dos avisos e dos responsáveis da proteção civil é louvável e merecedora de reconhecimento público, mas sobra como evidência que a mensagem, os mensageiros e os suportes utilizados devem ser repensados.

Muitas vezes anunciam-se fenómenos extraordinários que mais tarde (felizmente) não passam de ameaça, levando as pessoas a desvalorizar os avisos seguintes e a sua eventual gravidade.

É um pouco como a história do Pedro e do Lobo, uma deliciosa fábula infantil que sublinha a importância do equilíbrio entre aquilo que se faz e as consequências que daí resultam.

Um dia, quando o lobo apareceu mesmo de verdade, o Pedro gritou mais uma vez, mas as pessoas não valorizaram o aviso.