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Rosto de Francisco Rebelo dos Santos

Francisco Rebelo dos Santos

Diretor do REGIÃO DE LEIRIA

Os ovos todos no mesmo cesto…

O Estado de Calamidade veio demonstrar que a dependência total de energia elétrica deve ser repensada ou, em alternativa, acompanhada de medidas preventivas perante eventuais cortes de fornecimento.

A sabedoria popular é lição de vida e alerta merecedor de avaliação cuidada. No meio da calamidade que nos atormenta, limitados no acesso a necessidades básicas como água, luz e comunicações, constatamos com facilidade incómoda o que acontece quando dependemos exclusivamente de uma fonte de energia, confiando nas suas capacidades.

Tendências recentes e pacotes sucessivos de incentivos empurraram os consumidores para a opção da eletricidade como única fonte de energia, pelo que, perante os cortes recentes, milhares de pessoas ficaram privadas de aquecimento, abertura/fecho de estores e portões e rede de iluminação, além de impedidas de cozinhar.

No domínio da mobilidade, pessoas e empresas servidas por veículos elétricos têm experimentado grandes limitações nas suas deslocações diárias. Depois de mais de 10 dias às escuras, a utilização de veículos elétricos continua a ser uma missão difícil ou muito complexa, devido à dimensão dos estragos e à limitação de alternativas.

O Estado de Calamidade veio demonstrar que a dependência total de energia elétrica deve ser repensada ou, em alternativa, acompanhada de medidas preventivas perante eventuais cortes de fornecimento. Ter um plano B não significa desistir do plano A, mas representa uma garantia extra para situações excecionais.

No atual contexto de calamidade, equipamentos alimentados a gás, ou a outras fontes energéticas, conquistaram em poucos dias a popularidade perdida nas últimas décadas. Por outro lado, a importância dos geradores generalizou-se e passou a ser vista como “obrigatória” em muitos locais públicos, nas instituições de solidariedade social, estabelecimentos de saúde, empresas comerciais e industriais, bem como em casas particulares.

A partir de agora, será fundamental que todos os incentivos para a opção elétrico contemplem um plano alternativo. Ou queremos continuar a colocar os ovos todos no mesmo cesto?