Cláudio Tereso, técnico de informática claudio@claudiotereso.com

Eis-me chegado ao FIM. Quer dizer, não propriamente ao meu fim, mas ao fim da minha colaboração com o Região de Leiria. Foi um ano em que os meus pensamentos saíram do meu blog e do Facebook para as páginas físicas de um jornal.

Das sensações que escrever para um jornal suscita, destaco o profundo agrado com que chego ao final da linha sem nunca ter recebido uma única indicação sobre o que podia ou não escrever. Teci as críticas que quis, disse as parvoíces que quis, escrevi mal e escrevi bem, mas sempre sem sofrer qualquer tentativa de moldar o meu discurso.

A liberdade de um jornal gerir o seu conteúdo sem interferências externas é uma das grandes conquistas da democracia, mas é uma conquista que podemos perder num abrir e fechar de olhos. Um jornal para ser isento precisa de ser financeiramente independente e para isso precisa de vender. Tirando desportivos e sensacionalistas, não há grande hábito de comprar jornais em Portugal e com a instalação da atual crise o cenário piorou muito. Por este andar, os jornais ou fecham ou têm de ficar (ainda mais) dependentes de terceiros, sejam os anunciantes, os grupos que os detêm ou o poder político do momento.

Não nos podemos dar ao luxo de deixar a imprensa livre chegar ao FIM. Quem acha que pagar um euro por um jornal é muito, não está bem a ver o preço a pagar por não ter jornal para comprar.

(texto publicado a 14 de dezembro de 2012)