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Uma ponte entre Portugal e Cuba

Num ano muito complicado para todas as empresas, conheça a história de uma associação que ajuda vários empresários portugueses a desenvolver relações comerciais com Cuba.

Foi a 2 de junho de 2014 que nasceu a Câmara de Comércio Portugal Cuba (CCPC). A constituição desta entidade de utilidade pública surgiu numa altura de mudanças políticas em Cuba, na sequência da substituição de Fidel Castro por Raul Castro. A forte aposta no turismo, uma das principais fontes de receitas de Cuba, veio juntar-se a esta equação.

Assente neste clima de mudança, a CCPC organizou ao longo dos últimos seis anos mais de 30 missões empresariais setoriais e multissetoriais a Cuba, ajudando várias centenas de empresários portugueses a estabelecer e desenvolver relações comerciais ao mais alto nível. Além de missões empresariais a Cuba, a CCPC organiza também missões inversas, trazendo a Portugal entidades e empresas importadoras cubanas, permitindo-lhes conhecer as empresas portuguesas in loco.

O Secretário de Estado da Internancionalização Dr. Eurico Brilhante Dias e o Vice-ministro do Comércio Exterior de Cuba, António Carricarte Corona, inauguram oficialmente o Pavilhão de Portugal na edição de 2017 da FIHAV.

Todo este trabalho fez com que fossem criados diversos protocolos de cooperação. A própria AICEP abriu em 2017 uma delegação em Havana constituindo um momento muito importante na promoção da internacionalização das empresas portuguesas. Em 2018, a CCPC viu ser-lhe atribuído pelo Governo Português o Estatuto de Entidade de Utilidade Pública.

O Projeto “Internacionalização de PME’s para Cuba”

2019 deu início a um projeto cujo principal objetivo passa por difundir em Cuba a oferta portuguesa de bens e serviços, ao aumentar a capacidade exportadora das empresas. A CCPC tem neste projeto o papel de fomentar o intercâmbio económico entre Portugal e Cuba; divulgar oportunidades de negócio em Cuba; sensibilizar as empresas nacionais para fatores críticos de competitividade e risco; estimular e apoiar os contactos entre os agentes económicos interessados no desenvolvimento das relações entre os dois países; contribuir para a difusão internacional da oferta portuguesa de bens e serviços e auxiliar o desenvolvimento de processo colaborativos de internacionalização.

Receção na Embaixada de Cuba da Delegação Cubana, liderada pela Vice-ministra da Indústria Alimentar, Marlene Rosabal Sánchez que participou na Missão Inversa do Setor da Indústria Alimentar em maio de 2019

Pedro Santos, Presidente da CCPC

Relativamente ao futuro, o presidente acredita que a chegada da vacina trará mais confiança pois muitas portas se vão abrir às empresas portuguesas.

Tínhamos um conjunto de projetos para 2020 que, devido à pandemia não pudemos concretizar, como por exemplo três missões empresariais a Cuba; duas missões inversas e a participação na FIHAV. Participação que tem sido um enorme sucesso com o Pavilhão de Portugal a ser elogiado por todos, quer pelas dezenas de empresas que participaram, quer pelas autoridades cubanas.

Pedro Santos assumiu a presidência num ano difícil para tantas empresas e setores.

“Tão ou mais relevante que o facto de muitos negócios se terem aberto, é terem-se concretizado.” – Pedro Santos

A COSEC

Uma das principais “lutas” que a CCPC tem travado ao longo dos últimos anos tem sido a da concessão de seguros de crédito da COSEC às exportações portuguesas para Cuba.
As empresas cubanas, apesar das dificuldades financeiras do país, cumprem habitualmente os seus compromissos, embora com prazos de pagamento muito alargados, e algumas vezes com relevantes atrasos, o que inviabiliza algumas operações por dificuldade de tesouraria das empresas portuguesas. Na ausência de soluções na banca portuguesa para compra de cartas de crédito, este mecanismo é fundamental para ajudar as empresas portuguesas.

Joe Biden e uma nova luz ao fundo do túnel

Com a chegada de Donald Trump ao poder, Cuba viu serem impostas uma série de medidas contrárias ao que tinha sido determinado até então, o que agravou drasticamente toda a conjuntura.

As eleições de 2020 trouxeram uma nova luz ao fundo do túnel. A eleição de Joe Biden, ex-vice-presidente de Barack Obama, para Presidente dos Estados Unidos, carrega consigo a esperança de que o mesmo dê continuidade à política conciliadora com Cuba.

President Barack Obama shakes hands with Cuban President Raul Castro during their meeting at the Palace of the Revolution, Monday, March 21, in Havana, Cuba. (AP Photo/Pablo Martinez Monsivais)

Biden, durante a sua campanha eleitoral, assegurou que iria reverter as políticas sobre Cuba promulgadas por Trump que “infligiram danos ao povo cubano e nada fizeram para o avanço da democracia e dos direitos humanos.”

Testemunho:

Pedro Carvalho diretor comercial da Caixiave

Por que razão decidiu apostar em Cuba?

A Caixiave é cada vez mais uma empresa posicionada no mercado internacional. Mais de 50% do seu volume de negócios resulta da exportação dos seus produtos. No âmbito da estratégia de crescimento, e sendo a Caixiave uma empresa especializada na venda de soluções – produto chave na mão na área hoteleira, o mercado do caribe apresenta uma elevada aceitação no produto e serviço.
O trabalho desenvolvido em parceria com a CCPC facilitou todo o processo de conhecimento local, burocrático e logística inerente a este tipo de operações.


Como descreve a sua experiência neste mercado?

Em Cuba, não vamos enganar-nos, nada é fácil, nem igual, até mesmo a formalização do contrato comercial, por isso estamos em permanente alerta com a sua complexidade.
É necessário aprendizagem, muita calma e persistência, pensando que não mudamos os costumes e hábitos do país e seus habitantes, mas no final, com persistência os resultados aparecem e de forma interessante. O mesmo já presenteou a Caixiave com dois grandes projetos hoteleiros a serem instalados atualmente na capital Havana e um terceiro em processo de negociação comercial.

Como pensa manter e intensificar os negócios preparando-se para o eventual fim do embargo dos EUA a Cuba?

A estratégia, mesmo em período pandémico, é de continuar a firmar a presença no mercado do caribe e especialmente em Cuba, no entanto, temos a perfeita noção que um país que vive fundamentalmente do turismo, onde as receitas provenientes de visitas de estrangeiros praticamente desapareceram, nos próximos anos terá uma desaceleração no investimento associado. Assim sendo, nesta fase estamos a desenvolver tecnicamente as soluções para os projetos que nos foram apresentados mais recentemente e a preparar as respetivas propostas comerciais, esperando marcar posição para os próximos anos.

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