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Fogo posto em Chão de Falcão para evitar incêndios no verão

Técnica de fogo controlado é aposta preventiva.

Técnica de fogo controlado permite reduzir material combustível no solo Foto de arquivo

Uma coluna de fumo estacionou lá no alto, na zona montanhosa que se avista no horizonte por cima da vila da Batalha, no final da semana passada. A pergunta repetiu-se entre quem viu o fumo e o interpretou como sinal de fogo: será um incêndio? Foi fogo posto? Tecnicamente, a resposta a ambas as perguntas é sim. E, por uma vez, é um fogo benéfico. Confuso? Vamos por partes.

Foi na zona de Chão de Falcão que, no dia 27, o fogo se fez notar. Mas foi fogo controlado. Trata-se de uma técnica de gestão florestal que consiste em usar o fogo de forma planeada, supervisionada e em condições específicas para reduzir o material combustível, isto é: ervas secas, mato e ramos.

Viviane Ascenso, coordenadora municipal da Proteção Civil, explica a razão de ser desta ação: o concelho tem um Plano de Fogo Controlado aprovado desde dezembro de 2024, com luz verde do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). O documento prevê a necessidade de “aguardar pelas condições meteorológicas ótimas para estas ações, nomeadamente vários dias sem precipitação, que apenas aconteceram neste momento”.

O plano, explica, visa “realizar a gestão e limpeza dos matos, contribuindo para a redução do perigo de incêndio rural e para a gestão ativa dos espaços florestais”. Por outro lado, acrescenta, é também importante para “a renovação da vegetação, gestão de habitats, controlo de espécies invasoras e gestão cinegética”. De acordo com a responsável, estes objetivos foram alcançados “com a realização de cerca de 24 hectares de gestão de combustíveis”.

Com a tempestade de 28 de janeiro, o material combustível presente nos espaços florestais aumentou — e o risco de incêndio também. O fogo controlado contribui para reduzir esse risco, mas não chega. “Estas ações de fogo controlado não são suficientes para reduzir o risco, uma vez que incidem em áreas de mato e não em áreas de povoamento, onde existe um elevado número de árvores caídas ou destruídas pela tempestade”, explica.

Ou seja, não é prático nem está previsto provocar fogos em zonas povoadas e o risco, aí, permanece e terá de ser ultrapassado de outras formas. Autarquias e bombeiros, aponta ainda, “estão empenhados no corte de árvores que estão a impedir os caminhos florestais, de modo a facilitar a progressão dos meios de combate em caso de incêndio”.

Para já, nesta ação realizada de propósito para evitar males maiores na época de incêndios, estiveram envolvidos responsáveis municipais, do ICNF, bombeiros, GNR e associações locais de caçadores. E este não deverá ser o último fogo controlado da temporada: está prevista a continuidade da intervenção definida no plano.

Ainda assim, “estas operações estão sempre muito dependentes das condições meteorológicas. O aumento das temperaturas pode impedir a continuação destas ações”, salienta Viviane Ascenso.

144

O concelho da Batalha tem um Plano de Fogo Controlado elaborado e aprovado pelo ICNF a 16 de dezembro de 2024 e que abrange os baldios inseridos no Perímetro Florestal da Batalha, com uma área de intervenção de 144 hectares. A ação de dia 27 estendeu-se por 24 hectares

A produção deste artigo é apoiada por uma bolsa do projeto Climate Frontline, liderado pelo EJC, em parceria com a REVOLVE