Assinar Edições Digitais


Mercado

Sindicatos acusam inspecção do trabalho de não actuar

A União de Sindicatos de Leiria acusou ontem a Autoridade para as Condições de Trabalho de não fazer tudo o que pode para proteger os direitos dos trabalhadores.

Num contexto de aumento do desemprego e da precariedade laboral, a União de Sindicatos de Leiria (USL) acusou ontem a Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) de não fazer tudo o que pode para proteger os direitos dos trabalhadores no distrito de Leiria.

“A própria inspecção do trabalho, neste momento, não está a actuar”, criticou José Fernando, coordenador da USL, dando o exemplo da funcionária que está na recepção da delegação de Leiria da ACT – colocada por uma empresa de segurança – e que se encontra há dois meses sem receber. O dirigente referiu depois a estatística de acidentes no trabalho em 2009, que indica 23 mortes.

Feito pela USL, o diagnóstico da economia regional é negro: aumentou o desemprego, os salários em atraso, o trabalho precário, os ataques aos direitos dos funcionários, as pressões e ameaças de despedimento, o alargamento dos horários sem remuneração.

Em Janeiro, pela primeira vez, “foi ultrapassada a barreira dos 20 mil desempregados” inscritos nos centros do IEFP no distrito de Leiria, revelou José Fernando, numa conferência de imprensa realizada ao início da tarde. Mas o desemprego real afecta mais de 30 mil pessoas, acrescentou.

De acordo com a estrutura afecta à CGTP, são “mais de quatro mil” os leirienses que continuam sem receber o subsídio de Natal, um número superior tem salários em atraso e há dezenas de empresas com dívidas aos trabalhadores. “As pessoas pagam para trabalhar”, concluem os sindicalistas, referindo-se a quem não recebe e ainda tem que suportar as despesas de transporte e alimentação.

Ontem, quinta-feira, a USL visitou um conjunto de empresas em Leiria, Batalha e Peniche para denunciar o atraso nos pagamentos e o aluguer de mão de obra.

Segundo José Fernando “há uma pressão enorme sobre os trabalhadores dentro das empresas”, que muitas vezes “estão a trabalhar de borla e ainda têm medo de perder o emprego”.

Apoie o REGIÃO DE LEIRIA

Se chegou até aqui é porque este é um texto que lhe interessa. Por detrás dele há uma equipa e um conjunto de recursos que custam dinheiro e que, para continuarem a existir, precisam da sua ajuda. Gostávamos de lhe explicar como.