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Cultura

A faiança e a cortiça apaixonaram-se e o romance é em Nova Iorque

A faiança e a cortiça são almas gémeas. Duvida? A Matceramica, de Fátima, e a Amorim Cork Composites têm a certeza. E o MoMA – Museu de Arte Moderna de Nova Iorque concorda.

A faiança e a cortiça são almas gémeas. Duvida? A Matceramica, de Fátima, e a Amorim Cork Composites têm a certeza. As empresas juntaram os dois materiais numa colecção de loiça que convenceu o MoMA – Museu de Arte Moderna de Nova Iorque.

A partir de Maio, saladeiras ou caixas de especiarias criadas e produzidas em Fátima estão à venda nas lojas do museu.

As criações integram o projecto “Destination: Portugal”, que mostra no museu novaiorquino uma selecção de design contemporâneo de elevada exigência.

Mas o que leva peças de cozinha feitas numa fábrica da região a figurarem num dos mais conceituados museus do mundo? A resposta surge por Francisco Vieira Martins, designer da Matceramica e autor de “Check-in-out”, uma das linhas escolhidas pelo MoMA.

“A Matceramica procura sempre projectos que de alguma maneira extravasem o que é quotidiano”, refere, lembrando, a colaboração do designer Karim Rashid com a empresa.

Assim surgiu “Alma gémea”: “Havia a necessidade de fazer uma coisa diferente. Esse foi o ponto de partida”, recorda Francisco Vieira Martins. A Matceramica lançou à Amorim Cork Composites um desafio: um jogo de sedução entre a faiança (a matéria-prima com que trabalha a primeira) e a cortiça (da segunda) e assim quatro designers (três da Matceramica, um da Amorim) desenvolveram peças nas linhas de Mesa, Pequeno Almoço, Cozinha e Decorativo.

“Quisemos estruturar uma colecção sem choques, com uma sintonia entre os vários produtos”, explica Francisco Vieira Martins. A sintonia é transversal não só ao produto mas também ao processo.

“Há uma interligação muito grande entre as duas empresas, desde a concepção à comercialização. Não é comum”.

Em Setembro de 2009, “Alma gémea” foi apresentada a diversos clientes, entre eles o MoMA. “Com clientes como estes, só falar já é muitas vezes difícil. Quando soube que tinham comprado, fiquei muito contente! Foi uma surpresa”, admite o designer.

Das quatro linhas de “Alma gémea”, o museu de Nova Iorque adquiriu duas: a de pequeno almoço, da designer Raquel Castro (Amorim), e a de cozinha, de Francisco Vieira Martins.

Há cinco anos na Matceramica, o designer inspirou-se na “viagem” que os ingredientes fazem até serem alimentos acabados e criou “Check-in-out”. Tal como a restante colecção, as peças exploram a versatilidade da faiança e a elasticidade, textura e características térmicas da cortiça.

“A permissa era tirar o máximo partido das características de cada um dos materiais e projectar essas mesmas identidades num produto e na sua área de acção”.

A partir de Maio, “Alma gémea” e “Check-in-out” chegam aos clientes do MoMA, nos Estados Unidos. Mas não só: a colecção pensada e nascida em Fátima vai estar nas lojas do museu em diversos países e também no Museu de Serralves, no Porto.

“Estou ansioso por ver a colecção nas lojas e no site do MoMA. Quando temos as nossas referências a solicitarem os nossos produtos é muito especial”.

Manuel Leiria
manuel.leiria@regiaodeleiria.pt

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