O presidente da Câmara Municipal de Leiria, Raul Castro, admitiu ontem  a extinção da empresa municipal que gere as infraestruturas desportivas do concelho, considerando que a Leirisport é “o maior problema” da autarquia.

Aos jornalistas, no final da reunião do executivo em que a maioria PS/CDS-PP viabilizou o plano de actividades e o orçamento da empresa de desporto, lazer e turismo para 2011, Raul Castro declarou que “ninguém falou para já em extinção”.

O autarca, porém, disse assumir “todos os cenários” em relação ao futuro da Leirisport, remetendo uma decisão após ser conhecido o resultado do estudo sobre o melhor modelo de gestão dos equipamentos desportivos municipais.

Segundo Castro, independente eleito pelo PS, a empresa que, entre outros espaços, gere o estádio utilizado para o Campeonato Europeu de Futebol 2004, “absorve muito dinheiro daquilo que é de todos”.

A hipótese de extinção da Leirisport foi suscitada pelo vereador do PSD José Benzinho, ex presidente do conselho de administração da Leirisport.

“A extinção irá trazer consequências absolutamente gravosas ao nível financeiro e fiscal”, disse José Benzinho, alertando que a situação levará também ao despedimento de pessoas.

A posição do PSD, que votou contra os documentos propostos pela empresa, surgiu após o anúncio da autarquia de que vai optar pelo apoio direto às associações desportivas do concelho que se servem dos equipamentos desportivos municipais, ao invés de transferir as indemnizações compensatórias para a Leirisport dessa utilização.

Segundo José Benzinho, “o modelo proposto provocará o agravamento dos custos da autarquia”, sendo ainda “antecipável o agravamento da situação” da tesouraria da Leirisport, onde já é patente o “crescimento das dívidas dos clubes e associações”.

Para o vereador, trata-se da “morte” da empresa, que tem 101 trabalhadores.

O presidente da Câmara Municipal de Leiria estranha a posição dos sociais democratas sobre a eventual extinção da empresa, considerando que contradiz a orientação do partido.

“O PSD, a nível nacional, é o que mais combate a existência de empresas municipais e quer que seja feita a sua extinção”, declarou Raul Castro, acrescentando: “Não deixa de ser curioso este paradoxo”.