Assinar Edições Digitais
Sociedade

Falta um lugar para enterrar a polémica entre Leiria e os estudantes

É preciso um novo lugar. Mas qual lugar? Um lugar. Esta adaptação do famoso “sketch” dos Gato Fedorento resume o problema da relação da comunidade estudantil leiriense com a cidade.

É preciso um novo lugar. Mas qual lugar? Um lugar. Esta adaptação do famoso “sketch” dos Gato Fedorento resume o problema, até ao momento sem solução, e que ameaça a já periclitante relação da comunidade estudantil leiriense com a cidade.

As actividades académicas mais exuberantes precisam de uma nova localização que permita perpetuar a tradição académica, sem beliscar o direito ao descanso dos leirienses.

O “rastilho” foi a Semana do Caloiro, polvilhada de reclamações de moradores que fizeram chegar à Câmara de Leiria e às autoridades policiais o seu desagrado pelo ruído tardio, inimigo de noites bem dormidas em vésperas de dias de trabalho.

“Não podemos ser insensíveis a esta problemática”, diz Gonçalo Lopes, vereador da Educação, Cultura e Juventude da Câmara de Leiria.

Dia 19, reuniu com alguns responsáveis de associações académicas. Objectivo? Sensibilizar e discutir uma solução. “Ficou definido que a Semana Académica não deverá ultrapassar os cinco dias e o horário não deverá exceder as duas horas da madrugada”, avançou a autarquia em comunicado.

Os estudantes reconhecem que o problema existe e necessita de solução. Mas ela parece estar longe de ser consensual. João Rodrigues, da Federação Académica de Leiria – que lamenta não ter sido convocado para a reunião –, assegura que do encontro não saiu qualquer acordo: “Foi apresentada uma decisão unilateral, sem direito a discussão”.

Adrian Santos, presidente da associação de estudantes da ESTG, corrobora e acrescenta: “Concordámos que a redução de dias e seria possível, mas não concordamos com redução do horário”. Ainda assim, o assunto foi debatido em reunião geral de alunos que, apesar de desagradados com estas condições, confiam numa solução, saída do diálogo, diz.

O incómodo causado pelas novas regras ficou patente nas dezenas de comentários que a questão motivou, por parte dos estudantes, na página do Facebook do REGIÃO DE LEIRIA.

Francisco Soares, presidente da associação de estudantes da ESECS de Leiria, admite ter ficado “sem palavras”. “Não queremos incomodar ninguém, pedimos para mudar de lugar mas parece que esse lugar não existe. As pessoas esquecem-se que somos oito mil e que gostamos de Leiria”, acrescenta.

Nuno Mangas, presidente do IPL, reconhece que “neste momento existe alguma tensão entre a cidade e os seus estudantes”, não só os do IPL Qual a solução? Compreensão mútua.

Já Anabela Graça, presidente da ADLEI, entidade que está a desempenhar o papel de mediadora entre estudantes e Leiria, considera “equilibrado” o comunicado difundido pela autarquia.

Em Janeiro, um encontro mediado pela sua associação com a participação dos leirienses, poderes públicos e estudantes, deverá contribuir para uma solução deste e outros problemas.

Carlos S. Almeida
carlos.almeida@regiaodeleiria.pt