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Cantinho dos Bichos

Resgatado do caixote do lixo com poucas horas de vida

Graças a um amigo dos animais, Baloo foi retirado de um contentor. Hoje faz as alegrias da família Figueiredo e responde às ordens dadas em português e francês

O destino quis que Baloo sobrevivesse. Alda Figueiredo acredita que se o cão nasceu, e mantém a alegria lá em casa, era porque tinha uma missão.

Já passaram nove meses desde que Alda Figueiredo, moradora em Ortigosa, Leiria, viu pela primeira vez o animal que hoje é o seu amigo de quatro patas.

Em julho de 2012, foi a uma loja de animais e encontrou Carlos Carvalho, da freguesia de Barosa, Leiria, a perguntar se não queriam ficar com o cachorro. Tinha poucas horas de vida e fora retirado de um contentor do lixo. “Não o podia deixar. Aquela ‘coisa’ tão pequena não merecia morrer”, conta Alda Figueiredo.

Levou-o para casa, naquele dia, dentro de um cesto e embrulhado num cobertor cor-de-rosa. Os primeiros dois meses não foram fáceis. “De duas em duas horas dava-lhe leite e limpava-o com uma toalhita para o estimular. De dia e de noite”, recorda.

Cruzado de labrador com golden retriever, Baloo, como foi batizado, é um elemento fundamental na família. Acompanha Alda para todo o lado e tem lugar nas férias com toda a família. Simpático e meigo, Baloo adora brincar com bolas e não se incomoda com a presença dos restantes animais da casa.

Mas teve um primeiro dia de vida atribulado. Pouco tempo depois de chegar a casa, o cachorro caiu de uma mesa e começou a inchar. Desesperada, Alda tentou reanimá-lo com água, fez respiração boca-a-boca e massagem cardíaca. “Estava aflita. Até que ouvi um ‘ssuhhh’ e o Baloo voltou a respirar normalmente”, diz. Depois, secou-o e aconchegou-o. Os métodos podem não ser os mais aconselhados, mas para Alda foram suficientes para garantir a sobrevivência do animal.

Hoje em dia, não passa sem ele, nem sem o Paquito, um papagaio que fala português e francês. “Ça va bien, Paquito?”. “Oui”, responde à dona que esteve emigrada na Suíça. Baloo também entende as ordens nas duas línguas, não repete ou responde como Paquito mas cumpre fielmente as indicações.

Carlos Carvalho mantém ligação com a família e visita o cão. Acredita que “Baloo veio à terra com uma missão”. Daí ter lutado sempre para sobreviver, desde o primeiro dia.

Marina Guerra
marina.guerra@regiaodeleiria.pt 

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