Os resultados são preocupantes. Um questionário, que abrangeu o ano passado 1.309 alunos das escolas secundárias Henrique Sommer, Domingos Sequeira, Francisco Rodrigues Lobo e Afonso Lopes Vieira, no concelho de Leiria, revela que cerca de 10% dos adolescentes com vida sexual ativa recorreram à pílula para se protegerem contra infeções sexualmente transmissíveis (IST).

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Adolescentes alegam “confiança no parceiro” para não usar métodos contra infeções sexualmente transmissíveis

Muitos dos alunos que optaram por não usar qualquer método alegaram “confiança no parceiro”. Cerca de um quarto dos inquiridos, entre os 14 e os 18 anos, admitiu já ter tido relações sexuais sem qualquer método contracetivo. Em 14,8% dos casos, recorreram à pílula do dia seguinte para prevenir uma gravidez.

O estudo demonstrou ainda que muitos dos alunos que usaram proteção na primeira relação sexual, deixaram de o fazer nas seguintes. Mais de metade (56,8%) dos inquiridos, com 14 e 15 anos, revelaram não usar qualquer método para evitar IST, muitos por considerarem isso “desnecessário”.

Este foi um dos dados que surpreendeu Mónica Jerónimo, médica no serviço de Pediatria do Centro Hospitalar de Leiria (CHL), e responsável pela investigação apresentada na passada sexta-feira à população escolar que nela participou.

Dos dados recolhidos, é possível ainda concluir que 1,1% das alunas e 1,3% dos rapazes, entre os 16 e os 18 anos, já tiveram alguma IST e que 20% dos rapazes e 8,3% das raparigas admitiram ter mantido relações sexuais durante esse período.

De registar ainda que são sobretudo os rapazes e os jovens entre os 16 e os 18 anos que referem ter relações sexuais sob efeito do álcool ou de drogas ou por dinheiro. Por outro lado, cerca de 3,3% das raparigas e 2,5% dos alunos confidenciaram ter sido forçadas a ter relações sexuais.

Confusão de conceitos

Segundo Mónica Jerónimo, existe alguma confusão nos conceitos relativos aos métodos que previnam as IST. Embora não falte informação e porque a mensagem não parece passar, defende mais ações que impliquem o contacto direto com os jovens e o reforço da educação sexual nas escolas.

“O problema está sobretudo em facilitar e acreditar que a mim não me acontece até porque eu tenho uma relação estável”, sustenta a médica.

Durante o debate que sucedeu à apresentação do estudo, Sónia Araújo, da Associação para o Planeamento da Família, sublinhou que o uso da pílula do dia seguinte “pressupõe que houve uma relação sexual sem proteção da gravidez e IST, e que não irá evitar estas”. “O principio é inadequado. O preservativo é único método que pode evitar infeções. A maioria das doenças não revela sintomas e podemos estar a infetar outros sem saber”, esclareceu perante uma plateia de adolescentes.

Foi ainda deixado um alerta quanto ao risco de VIH/Sida, sendo que a maioria dos contágios de VIH verifica-se entre heterossexuais e que muitos dos novos casos registados respeitam a mulheres que tiveram apenas um parceiro na vida.

“Não há grupos de risco, mas comportamentos de risco. E qualquer relação sexual sem preservativo é um comportamento de risco”, sublinhou a médica Alexandra Luz, alertando para o facto de não se poder nesta matéria confiar em ninguém a 100%. “Quando temos relações sexuais desprotegidas, estamos a confiar a vida a alguém”, sustentou.

MR

(Notícia publicada na edição de 10 de abril de 2013)