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Cultura

Duplicação de discos em vinil ainda é negócio na região

Três décadas após a invenção do CD, o revivalismo em torno dos suportes mais antigos continua a alimentar nichos de mercado. Que o diga a Cosmotrónica, na Marinha Grande.

Três décadas após a invenção do CD, o revivalismo em torno dos suportes mais antigos continua a alimentar nichos de mercado e a duplicação de vinis é ainda hoje uma fatia do negócio da Cosmotrónica, na Marinha Grande.

Com quase 70 anos de vida, o vinil tem vindo a conquistar um renovado apreço junto de diversos grupos de melómanos. Uns garantem que a fidelidade do som analógico é imbatível, outros reconhecem que é sobretudo uma questão de gosto pessoal. Em qualquer caso, as edições sucedem-se.

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Nuno Santos, gerente da Cosmotrónica, na Marinha Grande

“Há um retorno do vinil bastante grande, principalmente na área do rock mais pesado e underground. Passa essencialmente pelo culto do objeto. O vintage está na moda”, comenta Nuno Santos, gerente da Cosmotrónica, na Marinha Grande.

Em Portugal não há fabricantes. A empresa presta serviços comerciais, funcionando como ponte entre a indústria e os criadores de conteúdos.

No ano passado, tratou da duplicação de 1.500 vinis, cujo único defeito parece ser o preço: entre três a cinco euros mais caros do que um CD, por unidade.

Fundada há 12 anos, a Cosmotrónica tem por negócio principal a duplicação de CD e DVD (algumas centenas de milhar por ano). Os clientes são editoras – entre as quais a Omnichord e a Rastilho, de Leiria –, bandas, artistas a solo, produtores de vídeo, agências de multimédia, comunicação e marketing. Por improvável que pareça, em 2013 a Cosmotrónica geriu encomendas para 2.000 cassetes, destinadas ao público religioso e a ouvintes da canção popular.

O grosso do trabalho passa pela música, em especial de pequenas editoras e produção independente. Com o objetivo de prestar um apoio diferente do que as fábricas fornecem, a atividade de intermediação da empresa marinhense floresceu.

“É um papel cada vez mais necessário porque hoje em dia cada vez mais se foge ao standard. Há necessidade de oferecer produtos especiais, que se destaquem na prateleira”, explica Nuno Santos. E é por isso que gigantes como a Sony, de quando em vez, também recorrem à Cosmotrónica.

Cláudio Garcia
claudio.garcia@regiaodeleiria.pt

(Notícia publicada na edição de 3 de abril de 2014)