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Cultura

Óbidos usa inovação para resistir ao "cerco" das recriações históricas

Abriu a época das recriações históricas. Até 3 de agosto, Óbidos organiza uma das mais famosas do país. Milhares de visitantes procuram entretenimento e conhecimento.

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Em 1246, Óbidos sobreviveu estoicamente a oito meses de cerco imposto pelo Conde de Bolonha. Em 2014, a vila recupera esse episódio até 3 de agosto, mostrando como se impõe ao “cerco” da concorrência das múltiplas recriações históricas que proliferam pelo país.

Na 13ª edição, até 3 de agosto, o Mercado Medieval de Óbidos inspira-se precisamente no cerco do século XIII e na misteriosa capacidade de sobrevivência das populações.

A lenda fala em túneis que permitiriam o abastecimento da vila cercada. Verdade ou não, isso valeu aos obidenses o nome de “toupeiros” e, assim, o tema desta festa é uma pergunta: “Haverá túneis secretos por baixo de Óbidos?”.

“Houve algumas investigações, mas nada prova a existência de túneis”, responde ao REGIÃO DE LEIRIA o administrador da empresa municipal Óbidos Criativa, Ricardo Ribeiro, que organiza o Mercado Medieval. “Como muita gente não sabe porque se chamam ‘toupeiros’ os habitantes de Óbidos, acabámos por trazer este episódio da História de Portugal para formar novos públicos”.

Ao fim de 13 recriações, Óbidos já sabe do que vive uma festa assim: animação, rigor e informação histórica e, sobretudo, inovação. Em 2013, a fórmula “rendeu” mais de 100 mil visitantes. Ano após ano, público e jornalistas, fazem a Ricardo Ribeiro a mesma questão:

“Perguntam sempre pelas novidades. Por isso a fasquia é muito elevada”, também devido à concorrência, que não assusta Óbidos, porque “cada localidade tem a sua história e características”.

O saber acumulado ao longo de mais de uma década permite à Óbidos Criativa pensar numa nova área de negócio: a exportação das recriações para outros municípios.

“Temos 13 anos de know-how, de trabalho com muitos grupos locais, portugueses e estrangeiros e temos investigadores que trabalham para nós. Estamos na linha da frente”, sublinha Ricardo Ribeiro.

O objetivo é projetar o modelo e rentabilizar o investimento. “Este ano organizámos já um evento em Belver, no concelho de Gavião. E temos vários municípios a analisar propostas”.

Quanto a Óbidos, qual é então, afinal, a grande novidade deste ano? “Pela primeira vez vamos ter a projeção em vi­deo-mapping e acredito que vai ser um momento único. Em Portugal nunca aconteceu. Será um espetáculo fora de série, envolvendo meios brutais”.

O Mercado Medieval de Óbidos decorre até 3 de agosto, de quinta a domingo. Mais informações em www.mercadomedievalobidos.pt.


Manuel Leiria

manuel.leiria@regiaodeleiria.pt

(Notícia publicada na edição de 17 de julho de 2014. Editada para online)

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