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Cultura

Rancho da Região de Leiria lança disco para vender como os Madredeus

O segundo disco do Rancho da Região de Leiria dá a conhecer mais uma parte do Cancioneiro da Alta Estremadura.

Se houvesse hit single, ele seria “Rolinha”: a moda recolhida por António Oleiro no Arrabal, Soutocico, em meados do século passado, é uma espécie de hino do Rancho da Região de Leiria. “Pela suavidade, pela maviosidade”, descreve José Vaz, um dos elementos do grupo.

“Rolinha” é uma das 14 faixas do disco que foi lançado em setembro e que dá a conhecer mais algumas das 342 modas recolhidas por António Oleiro e Manuel Artur Santos em meados do século passado.

“O primeiro disco esgotou e fazia sentido, ao fim de 12 anos, lançar mais modas recolhidas”, afirma José Vaz. Mesmo que o rancho não as saiba dançar:

Capa CD“Podemos tocá-las mas há muitas de que não sabemos a coreografia. Até pode soar a vira, mas cada coreografia tem as suas particularidades e isso não sabemos. Mas se não pode ser dançado, pode ser cantado. É o que andamos a fazer”.

Nesta gravação, o Rancho da Região de Leiria cristaliza mais músicas com melhor qualidade do que há 12 anos. “A tecnologia evoluiu. Fica um pouco caro, mas ouvimos o reco-reco, os ferrinhos, a viola, o bandolim… Os instrumentos ouvem-se todos”.

Vários elementos do grupo entraram num estúdio de gravação pela primeira vez. “Foi muito engraçado”, recorda José Vaz.

Mas também houve teimosia: “Repetimos algumas vezes porque achámos pormenores que não estavam bem”. Mesmo agora com o disco gravado, “algumas coisas podiam ter ficado melhores”. A principal: “Estamos a tentar banir o acordeão do folclore, por causa das adulterações e floreados, mas é impossível acabar com ele”.

A edição é de mil exemplares. Depois do lançamento, o que espera o rancho que aconteça aos discos?

“Vai ser como os Madredeus: vendemos mais no estrangeiro que no país [risos]”, diz, conformado, José Vaz. É que o folclore continua a ser olhado de lado. “Só os emigrantes compram. De resto, políticos e não políticos continuam a ver o folclore como uma coisa vulgar e não falam dele pela importância histórica”.

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A tocata do rancho numa das sessões de gravação do novo disco (fotografia: RRL)

Manuel Leiria
manuel.leiria@regiaodeleiria.pt

(Notícia publicada na edição de 18 de setembro de 2014. Editado para online)

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