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Sociedade

A fuga do quadrado no TEDxYouth@Leiria 2014 (fotogaleria)

“Rir… porque sim”, mas não só. Sobraram motivos, sábado, para sorrir e olhar para a vida com nova perspetiva. E há mesmo quem prove que tristezas não pagam dívidas.

Luís Mourão não fez as contas mas apresentou-as. Não é caso para rir: sete horas por dia, 1.155 horas por ano letivo, 1.400 horas se incluirmos as horas de almoço, cerca de 5 mil horas nos primeiros quatro anos de escolaridade. É este o tempo que as crianças passam na escola.

Mas será que consegue encontrar três crianças a rir numa sala de aula? O professor dramaturgo tem dúvidas até porque o “quadrado” não deixa margem para tanto. Afinal “Isto é uma escola. Você ri-se de quê?”, perguntou, sábado, à plateia do TEDxYouth@Leiria.

Na verdade está na hora de agir e introduzir as expressões artísticas no centro da escola e do currículo, defendeu, para que os jovens não saiam da escola formatados “ao quadrado” e sejam capazes de ter ideias, de serem criativos e de se relacionarem com os outros.

“O que não bate certo é este sistema” e a ideia de “sermos cada vez melhor dentro do quadrado”.

“As experiências relatadas hoje são de pessoas que saíram do quadrado”, sublinhou Luís Mourão, ele que entende que é possível conjugar trabalho e prazer.
“O outro grande mito é que quando tempos prazer não estamos a aprender nada de importante. Não é verdade, é exatamente o contrário”.

Se dúvidas houvesse, des­fizeram-nas os 22 oradores que subiram ao Teatro José Lúcio da Silva para “Rir… porque sim”.

Contra a deficiência, a doença, as desilusões, as desventuras, a rotina e as expectativas de uma sociedade “quadrada”, contaram como tiram partido do humor e como um sorriso pode fazer milagres.

Ao longo do dia, partilha­ram-se histórias de vida que levariam o público às lágrimas, não fosse a capacidade dos oradores de rirem de si próprios e de contagiarem os outros.

“Não fui um acidente de percurso. Fui planeada e amada e seria uma indignidade eu passar a vida triste”, contou Mafalda Ribeiro. Aliás, “se começasse a andar agora é que era estranho”. “Estou de facto muito bem com o meu corpo” e “rir é o meu nome do meio”, partilhou com o REGIÃO DE LEIRIA, ela que defende que “as pessoas precisam de desligar o complicómetro”.

Lições de vida não faltaram nesta segunda edição do TEDx. Sofia Lisboa per­mite-se rir do cancro que lhe abalou a vida. Afinal “contra todos os prognósticos, eu aqui estou”.

De peruca e um saco cheio de emoções, ela que não usou perucas nem lenços, sorri do “chorrilho de piadas” que o seu estado lhe proporcionava, e que deverá partilhar no livro que está prestes a lançar.

Martine Rainho
martine.rainho@regiaodeleiria.pt


(fotografias: Sérgio Claro e Cláudio Pinto)