Quem já visitou o Museu Nacional dos Coches sabe que é impossível entrar num coche e imaginar como seria usá-lo. Mas uma nova aplicação para dispositivos móveis, desenvolvida pela RPGSI Business Solutions em parceria com a ByteRev, uma empresa da região, permite visualizar o coche como se fosse passageiro, permitindo ainda o acesso, no telemóvel, a vários conteúdos informativos sobre o coche em questão.

Stéphane Marques, engenheiro informático de 32 anos, residente em Alcobaça e gerente da ByteRev explica que a aplicação “Museu dos Coches” – disponível desde o início do mês para Android e IOS – usa uma nova tecnologia desenvolvida pela Apple que possibilita que o visitante do museu possa ser alertado para saber mais sobre um determinado coche do qual se aproximou.

Na prática, a aplicação usa a tecnologia bluetooth beacons que permite detetar a proximidade de um visitante de um determinado coche ou grupo de coches. “Um restaurador colocou os beacons (pequenos dispositivos) em alguns coches e quando o utilizador se aproxima (basta ter a aplicação instalada no smartphone), este receberá uma notificação”, explica Stéphane Marques, antigo aluno do Instituto Politécnico de Leiria.

Com apenas um clique, o visitante acede a vários conteúdos que incluem uma foto em 360 graus do interior do coche. O engenheiro informático explica que esta tecnologia está já a ser utilizada com frequência nos EUA, mas na Europa começa a dar os primeiros passos. Em Portugal, esta é uma aplicação inovadora, tendo potencialidade para ser usada noutros espaços expositivos e até em lojas, sublinha.

“Experiência cultural”
Se é certo que a localização do utilizador já é possível através do sistema GPS, a verdade é que o sinal é de difícil captação em espaços interiores. “Esta tecnologia resolve esse problema”, diz.

Esta não é a primeira vez que a empresa RPGSI implementa tecnologia de beacons, estando envolvida em projetos a identificação de veículos específicos por agentes de parqueamentos recorrendo à mesma. “Este é um projeto que cria a verdadeira ponte entre o físico e o digital. Isto permite uma experiência enriquecida de visita cultural, a qual de outra forma necessitaria de uma intervenção demasiado ativa do visitante no smartphone, o que levaria o mesmo a perder o foco naquilo que realmente interessa, a peça exposta”, refere Hugo Farinha, diretor de Marketing e Inovação na RPGSI Business Solutions.

“Trabalhar em parceria com o Stéphane neste tipo de temática tem sido uma viagem longa, mas bastante recompensadora e penso que o mesmo representa a ótima qualidade de engenheiros que temos em Leiria”, acrescenta.

Entretanto o engenheiro informático de Alcobaça vai apostando também noutros projetos nesta área das aplicações móveis onde já tem no seu currículo uma aplicação de captura de vídeo do ecrã de dispositivos móveis, popular no mercado brasileiro.

(Notícia publicada na edição de 22 de junho de 2017)

carlos.almeida@regiaodeleiria.pt