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Festival presta tributo ao etnógrafo que nunca batia palmas

Só com o auxílio da família foi possível convencer Manuel Artur Santos. A postura discreta e humilde de sempre sobrepunha-se a qualquer tipo de protagonismo. “Foi uma luta para aceitar. Ele nunca gostava de aparecer. Só com a ajuda da família aceitou que dêssemos o nome dele ao festival, para perpetuar a figura que foi”. A história é recordada por José Vaz, um dos responsáveis do Rancho da Região de Leiria, que no final do mês organiza nova edição do Festival de Folclore Manuel Artur Santos.

Mesmo com a saúde muito debilitada, o etnógrafo esteve na primeira edição com o seu nome. “Fiquei muito sensibilizado”, assume José Vaz, que recorda a importância do fundador do Rancho da Região de Leiria. “Recebia todos os ranchos, aconselhava-os, apontava caminhos, mesmo grupos do estrangeiro”.

Fundou também o Rancho Flores do Verde Pinho, do Coimbrão (o mais antigo de Leiria) e ajudou ainda outros, como o Rancho de S. Guilherme. “Era de um altruísmo extremo. Ajudava todos. Mas o Rancho da Região de Leiria era a menina dos olhos. Era como um filho para ele”. A par de Travassos Santos, é referência incontornável nas tradições na Alta Estremadura.

“Quando se fala em folclore, tem de se falar neles. As pessoas dos ranchos pensavam que havia rivalidade entre eles, mas um dizia maravilhas do outro e vice-versa”, nota José Vaz.

Apesar disso, o responsável do rancho de Leiria defende que a memória de Manuel Artur Santos devia ser mais valorizada. “Os grupos que não o reconhecem, é por alguma inveja de não conseguirem chegar ao pedestal onde ele está”. Como exemplo da postura do etnógrafo, José Vaz recorda que nunca o viu aplaudir atuações de ranchos. “Talvez porque se batesse palmas a uns, tinha de bater a todos… e se eles não merecessem? Nem ao Rancho da Região de Leiria batia palmas”.

O Festival Manuel Artur Santos acontece dia 30 de julho, junto à sede do grupo, em Marrazes.

A 13 de janeiro de 1919 nascia em São Simão de Litém, no concelho de Pombal, um homem determinante para a etnografia da Alta Estremadura.

Manuel Artur Santos fundou os ranchos do Coimbrão e da Região de Leiria. Trabalhou ainda na Associação de Regantes do Vale do Lis, na Câmara de Leiria, na Comissão Regional de Turismo e foi correspondente da Emissora Nacional e RTP.

A par das tradições, dedicou-se discretamente à pintura, escultura e fotografia. Morreu em 2015, com 96 anos. No funeral, o Rancho da Região de Leiria cumpriu o desejo de Manuel Artur Santos e entoou “Rolinha”

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