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Maria Francisca Gama

Maria Francisca Gama

Estudante do ensino superior, escritora

 

mariafranciscagama@hotmail.com

 

Internet: desejável ou que deixa a desejar?

Ago 14, 2017 | Opinião | 0 comments

Há uns dias, quando me encontrava fora do país, procurei saber o que se passava em Leiria, fazendo uma leitura na diagonal das últimas notícias, que me iam aparecendo no feed do Facebook. Eis que, para além destas, encontrei um número expressivo de comentários depreciativos, por vezes até ofensivos, que manifestavam o seu desagrado a propósito de múltiplas matérias, o que me aguçou a vontade de hoje falar sobre esse mundo que me possibilita, também, chegar a vós.
A internet potenciou a liberdade de expressão a uma magnitude que, embora desejável, em muito, por vezes, deixa a desejar. Porque apesar de todos nós termos o direito às nossas convicções, opiniões, e a encabeçarmos a luta pelas causas que mais nos aprazem, a verdade é que a internet, e, em particular, as redes sociais, possibilitam que, hoje em dia, haja uma ideia, quase que imutável, de que se existe uma caixa de comentários, então poder-se-á escrever o que se quiser. Independentemente do que digamos, a quem digamos, e, principalmente, da forma como o digamos. A falta de informação, do saber necessário para instigar uma discussão em plena praça pública é, infelizmente, uma constante. E se, por um lado, há quem use as redes sociais para reencontrar velhos amigos de escola, conhecer o amor da sua vida ou procurar uma oportunidade única de emprego, também há quem fique atrás de um computador, mais tempo do que o recomendável, a ofender, a opinar e a injuriar de forma gratuita. E, neste campo, vê-se de tudo um pouco: sentenças ditadas por quem não é juiz, avaliações de caráter feitas por quem não é psicólogo, investigações arquivadas por quem não é polícia. Para se dizer algo aqui, independentemente do tema em causa, basta ter um perfil. E, quanto ao tema, parece ser indiferente tratar-se da vida de uma figura pública, de um caso de corrupção pública, de um acidente natural ou causado por humanos, de um evento que se aproxima ou de uma lista que se candidata às autárquicas.
Não me interpretem mal: não podia ser mais apologista de que todos têm direito a ter voz. Promovo naqueles que me rodeiam, principalmente nos mais novos, espírito crítico e vontade de mudar o que acharem estar errado. Sou grata a quem findou a censura, e parabenizo todos aqueles que, mesmo sozinhos, remando contra uma maré que junta se faz ouvir mais alto, sussurram com convicção. Mas tudo tem de ser feito com peso e medida, e digamos, honestamente, que o bom senso há algum tempo se perdeu no mundo cibernético. Não culpemos os portugueses, que não é um mal só nosso, mas não descartemos que somos um povo que tem uma especial “sensibilidade” para perceber da vida do outro, por vezes antes mesmo de percebermos da nossa. A globalização trouxe a informação a uma velocidade incrível, e o tempo que passamos no computador, a ler tantas notícias, a tentar, quantas vezes, analisar a veracidade dos factos, deram-nos uma sensação, a meu ver, errada, de que podemos, de que temos o direito (ainda não consagrado constitucionalmente) de dizer o que nos vai na cabeça. Sem consequências, porque é na internet, e porque é a nossa opinião.
Entristece-me que não vejamos, tantas vezes, que a nossa liberdade termina onde começa a liberdade do outro. E que quando comentamos notícias nas redes sociais, sendo ofensivos para com quem está em causa, não pensemos que, também num computador como o nosso, estará uma esposa, um filho, uma mãe ou um pai que, naquele momento, não queriam saber o que achamos do assunto. Se sou a favor de que reapareça o lápis azul, pronto para silenciar todos aqueles que, neste caso, utilizassem as redes sociais para minimizar a sua verdadeira utilidade e motivo para o qual foram criadas? De todo. Se acho que deveria ser feito um manual de boas maneiras e práticas para lermos quando nos instalamos na nossa secretária, ou fazemos scroll no nosso telemóvel, enquanto aguardamos pela nossa vez na fila do pão? Completamente. Nem que seja pela geração que aí vem, que vai aprender com os nossos erros e lucrar com as nossas vitórias.

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