2021 vai ser mais um “Ano Oficial da Qualidade Autárquica”.

As eleições Locais, provavelmente, em Outubro, vão movimentar esforços de candidatos e recandidatos, ávidos de dar o seu melhor para captar atenções e votações dos eleitores.

Numa disputa que se antevê renhida, muitas vezes, desigual, uns (os candidatos) seguram-se às bases partidárias – pois só com elas podem contar – outros (os recandidatos) utilizam o que os partidos proporcionam, mas, também, toda uma série de meios existentes nas autarquias que governam – bens públicos.

Logo à partida, estaremos perante uma luta desigual – para não dizer, desleal. Todavia, as regras são as que são… e não se conhece a sua redação formal.

Por outro lado, quando constatamos a existência de autarquias que pouco investem no decurso do mandato, dando, em simultâneo, sinais exteriores de riqueza acumulada, é certo e sabido que, no “Ano Oficial da Qualidade Autárquica”, tudo poderá acontecer, e sempre da pior maneira.

Esbanjamento em obras de fachada – discutíveis – e apressadas pelo tic-tac do relógio eleitoral. Em suma, tudo se faz e inaugura num só ano. Pelo menos, tudo o que dê votos.

Esquecidos – bem no fundo da gaveta – ficam planeamento; medidas estruturantes; apoio aos munícipes; etc, etc… Já o dinheiro, esse – amealhado, em função da não obra – esvai-se, num ápice, nos derradeiros meses de mandato, acabando por ser insuficiente para cobrir tantos e inúmeros desvarios.

Convenhamos que, este tipo de atuação, em nada se enquadra com os superiores interesses da população. Essa sim, deveria ser a grande prioridade dos governantes. Ao invés, a práxis vigente, mais não reflete que a urgência – individual e/ou coletiva – para garantir um passaporte visado, rumo à reeleição e à satisfação de egos pessoais desmedidos e infundados.

2021, “Ano Oficial da Qualidade Autárquica” está mesmo aí… logo, logo, ao virar da esquina. A ver vamos se haverá ou não alterações comportamentais. A ver vamos!…

(Artigo publicado na edição de 1 de outubro de 2020 do REGIÃO DE LEIRIA)