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Leiria: Crianças lançam livro multiformato e derrubam barreiras

O livro “A Rainha das Rosas” tem assinatura das crianças da EB1/JI da Reixida e do JI de Famalicão, com o apoio da Associação de Pais das Cortes, professores e educadores, da ilustradora Tânia Bailão Lopes e de Célia  Sousa, coordenadora do CRID Foto: Joaquim Dâmaso

É com um sorriso e o orgulho estampados no rosto que as crianças da EB1/JI da Reixida e do JI de Famalicão, no concelho de Leiria, falam  do livro que ajudaram a construir. Literalmente. Letra a letra, desenho a desenho, página a página.

“A Rainha das Rosas” não podia aliás ser mais inclusiva. Em apenas 24 páginas, consegue juntar uma lenda que marcou a história da região e de Portugal, trocada por “miúdos” para ser acessível a todas as idades, ilustrações feitas pelos alunos, texto aumentado para quem tem baixa visão, pictogramas para quem tem maiores dificuldades de compreensão, braille, imagens em relevo e audiolivro para quem não vê, e vídeo em Língua Gestual Portuguesa (LPG) para quem não ouve. Dois formatos que estão acessíveis através de um código Quick Response (QR).

A ideia brotou há cerca de um ano quando uma mãe sugeriu que as crianças criassem um livro, e evoluiu rapidamente para um projeto mais ambicioso que visou promover junto dos mais novos o respeito pela diferença.

A proposta da Associação de Pais das Cortes foi logo abraçada pelos professores e alunos que têm trabalhado a temática ao longo do ano. “Efetuaram visitas ao castelo de Leiria, desenvolveram a ideia das lendas e o tema da inclusão, percebendo que há crianças que não sabem ou não podem ler, que não têm os mesmos acessos do que eles nem as mesmas facilidades”, adianta  Andreia Santos, presidente da associação de pais ao REGIÃO DE LEIRIA.

Enquanto os mais novos fizeram as ilustrações, os do 4º ano trabalharam o texto.

O projeto contou ainda com a colaboração de Tânia Bailão Lopes, ilustradora e autora do  “Piu Caganita” –  primeiro livro impresso multiformato -, que conseguiu fazer uma “montagem” dos inúmeros desenhos produzidos para que todos os alunos estivessem representados. E com o envolvimento, desde a primeira hora, de Célia Sousa, responsável do Centro de Recursos para a Inclusão Digital (CRID) do Instituto Politécnico de Leiria, que coordenou a obra.

Sensibilizar para a diferença
A inclusão não é um tema novo para a Mariana, de 9 anos. A mãe é surda pelo que tem alguma noção da LGP e consciência da importância de respeitar quem é diferente. “Devemos respeitá-los porque nem toda a gente é igual, todos somos diferentes, ninguém é perfeito”, afirma, ela que se diz satisfeita com o livro, sobretudo com “os desenhos” que todos ajudaram a criar.

Gonçalo, de 8 anos, desenhou o rei, mas também teve oportunidade de aprender que “temos de dar prioridade aos deficientes, aos que não veem e aos que não sentem”.

Em termos pedagógicos, o projeto contribuiu para desenvolver várias áreas de aprendizagem. Segundo Ricardo Poças, coordenador da EB1 da Reixida, e no âmbito do estudo das lendas, “aproveitamos para trabalhar a inclusão”, demonstrando às crianças que a sociedade “é muito diversificada e que algumas pessoas têm uma condição diferente e necessidades especiais”, “Este trabalho ajudou bastante mas penso que as crianças estão já bastante sensibilizadas para a diferença”, acrescentou.

A obra foi lançada em meados de dezembro, numa sessão que decorreu no Teatro José Lúcio da Silva, encerrando o programa comemorativo do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência dinamizado pela Câmara de Leiria.

A associação de pais pretendia produzir cerca de mil exemplares da primeira edição da obra, que já se encontra à venda em Leiria. 

(Notícia publicada na edição de 14 de dezembro de 2017 e editada)

Martine Rainho
Jornalista
martine.rainho@regiaodeleiria.pt

Joaquim Dâmaso
Jornalista
joaquim.damaso@regiaodeleiria.pt

“Pretendemos que as crianças desde cedo sejam sensibilizadas para que possam com o esforço delas contribuir para uma sociedade melhor. Em suma, queremos que elas  verifiquem que a inclusão é não deixar ninguém de fora” .

Ricardo Poças
Coordenador da EB1 da Reixida

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