“Gostava muito de acreditar que desta vez será diferente mas tenho muitas dúvidas. O caso deve terminar como inconclusivo”. A declaração é de Bárbara Silva, voluntária da Desprotegidos – Associação Animais em Risco, e remete para o apuramento da causa da morte de oito cães, na semana passada, na localidade de Soutocico, freguesia de Arrabal.

Na terça-feira, dia 16, a associação foi contactada para dar conta da existência de uma matilha, com cerca de 15 animais, que circulava na localidade do concelho de Leiria. Também o canil municipal foi alertado pela Junta de Freguesia mas quando o Serviço Médico-Veterinário foi ao local, não avistou nenhum animal.

Na sexta-feira, dia 18, pela hora de almoço, uma voluntária da Desprotegidos deslocou-se ao local, na tentativa de fazer aproximação aos animais, procurar identificar alguns e planear a sua recolha mas, em vez da matilha, encontrou cinco cadáveres, aparentemente vítimas de envenenamento. Os corpos encontravam-se rígidos e apresentavam sangramento.

Apresentada queixa na GNR de Leiria, as autoridades foram ao local e recolheram quatro corpos. Regressaram no sábado e recolheram mais três e um outro foi encontrado segunda-feira, dia 21, parcialmente enterrado, prefazendo um total de oito animais mortos, dois deles com microchip.

Os cadáveres “foram examinados pelo médico veterinário do município de Leiria e estão à guarda do município”, informou a autarquia. Enquanto a GNR de Leiria esclarece que “será elaborado Auto de Notícia pelo Crime de Maus Tratos a Animais e enviado para o DIAP de Leiria. Os sete cadáveres de canídeos foram apreendidos de forma cautelar, para realização de necropsias e determinação da causa da morte”.

Quanto aos restantes, quatro foram encontrados vivos, um deles com microchip e o dono foi contactado, e a cadela, com cio, a principal razão porque os animais andavam em matilha, foi recolhida pela Desprotegidos e será esterilizada. Restam, segundo Bárbara Silva, dois cães à solta, que não se aproximam das pessoas e estão a ser alimentados pelos populares, com a finalidade de serem recolhidos a curto prazo.

A associação apela a quem tiver informações sobre os donos dos animais ou esteja disponível para adotar ou ser Família de Acolhimento Temporário, para entrar em contacto com a Desprotegidos.

“Apesar deste final, ficamos com a sensação que as pessoas estão em alerta e, se calhar, daqui a uns meses, alguém vai aparecer a vangloriar-se do que fez. Vamos aguardar”, acrescenta.

Marina Guerra
Jornalista
marina.guerra@regiaodeleiria.pt