A sexta edição de “Há música na cidade” acontece em Leiria no sábado, 5 de outubro, e vai juntar 1.200 músicos em 110 concertos. Após um hiato de quatro anos, a iniciativa mantém os mesmos princípios: explorar o centro histórico da cidade através da música e dar a conhecer o que se faz em termos musicais na região de Leiria, convidando alguns projetos de fora.

Segundo João Nazário, diretor do “Jornal de Leiria”, que organiza “Há música na cidade” com a colaboração do município, o regresso é fruto do convite da candidatura de Leiria a Capital Europeia da Cultura.

“O coordenador, Paulo Lameiro, desafiou-nos a voltar a fazer, porque era importante acontecer. Nós gostamos do evento, mas não o temos feito porque não é o ‘core business’ do jornal e não temos uma equipa muito forte para fazer isto”, sublinha.

Apesar das dificuldades de produção, “Há música na cidade” vai voltar a acontecer, juntando em 26 palcos do centro de Leiria cerca de 1.200 músicos, que vão protagonizar 110 concertos, das 14h30 à meia noite de sábado. O programa em PDF pode ser consultado aqui.

“A dimensão nunca foi algo que procurássemos, mas foi acontecendo naturalmente. Na última vez, quando demos por ela, tínhamos 1.500 artistas a participar”, recorda, lembrando os números da edição de 2015.

A escala de “Há música na cidade” cria “dificuldades” e, por isso, este ano há apenas música – e não teatro ou dança, como anteriormente – e o evento passou a um único dia.

“Não podíamos continuar a crescer para lá do que conseguimos e do que os horários permitem”.

Mesmo assim, será “um programa super preenchido”, juntando desde alunos de escolas de música a músicos profissionais, “com as diferentes estéticas presentes, do fado ao hip hop, do pop rock à música eletrónica, música clássica, música para bebés, etc.”.

Entre as novidades, contam-se concertos em varandas e estrados, para “explorar a verticalidade da cidade”, e a atuação de um violinista suspenso numa grua na principal praça da cidade. A fechar, os First Breath After Coma e Whales mostram repertório inédito criado para o “Há música na cidade” no adro da Sé de Leiria.

Entre os espetáculos principais, conta-se o programa “Clássicos do cinema”, da Orquestra Filarmonia das Beiras, e a atuação do alaudista e compositor holandês Jozef van Wissem no Centro de Diálogo Intercultural de Leiria.

Nos últimos anos, recorda o organizador, “muitos nos perguntaram quando havia outra vez”.

O pedido do coordenador da candidatura de Leiria a Capital Europeia e a recuperação da economia – “as coisas estão um bocadinho melhores e foi possível libertar alguns recursos e pessoas” – possibilitou o regresso deste que é, também, um “tomar de pulso” à música de Leiria.

“Nos últimos anos houve projetos que alteraram por completo a sua dimensão e visibilidade”, sublinha João Nazário, lembrando o percurso de Surma, Whales ou First Breath After Coma, mas também de “alunos da SAMP e Orfeão que têm projetos jazz já maduros e são hoje músicos de corpo inteiro”.

“Nota-se que em quatro anos Leiria deu um salto grande e ainda há novos projetos a aparecer”, refere João Nazário, que não garante a continuidade de “Há música na cidade”.

“É um evento que deve ser uma marca da cidade. Mostra a força e o envolvimento de uma cidade ou região e pode crescer para outro nível. Mas tem de ter outro envolvimento logístico e financeiro”, conclui.

Lusa