A EB 2,3 D. Dinis, em Leiria, encerrou esta quinta-feira devido à greve dos funcionários, convocada pelo S.TO.P. – Sindicato de Todos os Professores, e a que  aderiu a maioria dos atuais 12 assistentes operacionais do estabelecimento.

Os trabalhadores reclamam a contratação de mais assistentes operacionais e técnicos de modo a garantir a necessária vigilância dos alunos, a segurança do espaço escolar, a qualidade dos serviços e o apoio aos professores.

Segundo Helena Vitorino, que trabalha na D. Dinis há quase 19 anos, seriam necessários “pelo menos mais dois funcionários” e uma “boa gestão e distribuição” dos recursos para poderem satisfazer todos os sectores.

Funcionários reclamam a  contratação urgente de mais profissionais e a remoção das estruturas de fibrocimentos, entre outras reivindicações 

“Chegou a haver escolas com três funcionários por bloco e alguns sem fazerem nada”, mas estes tempos já lá vão, frisou, considerando que a situação “regrediu, e muito, em matéria de número de funcionários”.

“O senhor ministro pensa que faz omeletes sem ovos e que a Educação não é fundamental. Transformaram a Educação num negócio mas na Educação não se fazem tachos nem panelas, na Educação trabalha-se a parte pedagógica”, alertou esta manhã ao REGIÃO DE LEIRIA à entrada da D. Dinis.

Esta é a terceira paralisação registada em apenas dez dias em escolas do concelho.

A primeira, convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, encerrou cinco escolas do agrupamento Dr. Correia Mateus no passado dia 12, e a segunda a EB 2,3 José Saraiva, na passada segunda-feira, por iniciativa do S.TO.P.

Segundo Célia Catulo, representante do sindicato em Leiria, a greve foi decretada para duas semanas, entre 11 e 22 de novembro, para que os trabalhadores de cada escola “pudessem organizar-se e escolher democraticamente os dias em que querem parar”.

“Ainda não temos dois anos de existência e todos os dirigentes do sindicato trabalham nas escolas, daí nós sabermos muito bem qual é a realidade e quais são os problemas dos professores e dos funcionários”, realçou, explicando que o sindicato, que representava inicialmente apenas professores, alterou os seus estatutos no ano passado para englobar todos os profissionais das escolas. “Para nós não fazia sentido estarmos a trabalhar só com professores e outros sindicatos só com funcionários quando os problemas são comuns”, acrescentou.

 

Em estado de exaustão

Sublinhando o estado de exaustão em que todos se encontram, a Célia Catulo lembrou que os docentes continuam “a trabalhar em componente não letiva” e nas horas em que “devíamos preparar aulas e fazer materiais, estamos a dar apoios a grupos tão grandes de alunos que quase são uma turma”. “Acaba por não ser apoio”, frisou, destacando outro problema: o do fibrocimento e do amianto nas escolas, com que se debate também a D. Dinis e que considera “uma razão muito forte para fechar escolas e exigir uma intervenção com vista à sua remoção”.

Célia Catulo, dirigente sindical, e Helena Vitorino, funcionária da escola, estiveram esta manhã à porta da escola 

Jorge Camponês, diretor do Agrupamento de Escolas D. Dinis, que esta manhã esteve ao portão da escola para fazer o encaminhamento dos alunos que não tinham autorização para sair sem os pais chegarem, não quis prestar declarações.

Em outubro, contudo, disse ao REGIÃO DE LEIRIA que estava a aguardar desde julho a atribuição de horas para contratar cinco tarefeiras e permitir, entre outros serviços, prestar apoio permanente a cinco crianças de educação inclusiva que frequentam o pré-escolar e o 1º ciclo no agrupamento.

“Estamos mesmo no limite e temos dado conta disso ao Ministério”, referiu nessa altura.

Martine Rainho
Jornalista
martine.rainho@regiaodeleiria.pt

Joaquim Dâmaso
Fotojornalista
joaquim.damaso@regiaodeleiria.pt