O projeto “Ansião ReAnima” que preconiza a formação da população em Suporte Básico de Vida e Desfibrilhação Automática Externa (SBV-DAE) foi a proposta mais votada no Orçamento Participativo de Ansião, tendo colhido 186 dos 204 votos apurados.

Apresentada por André Teodósio, enfermeiro e bombeiro, a ideia – de entre apenas duas finalistas – , tem por objetivo a colocação de 18 desfibrilhadores em locais de acesso público nas seis freguesias do concelho, bem como a formação de 108 civis (seis por cada dispositivo) para o manuseamento destes equipamentos.

Segundo o proponente, os 40 mil euros atribuídos ao Orçamento Participativo permitirão ainda assegurar a manutenção e consumíveis dos desfibrilhadores durante três anos e meio, garantir o processo de licenciamento junto do INEM e promover ações de Mass Training em SBV.

Há muito que André Teodósio alimenta um interesse especial pela Emergência Médica Pré-Hospitalar, mas foi no dia em que um amigo próximo sofreu uma paragem cardiorrespiratória (PCR), num campo desportivo em Ansião, e foi prontamente socorrido pelos Bombeiros de Ansião com ajuda de um desfibrilhador, que a ideia de colocar estes dispositivos em locais estratégicos ganhou forma.

Segundo André Teodósio, numa situação de PCR, “a probabilidade de sobrevivência é tanto maior quanto menor for o tempo decorrido entre o colapso e a desfibrilhação”. Alguns estudos indicam, no entanto, que “em 57% das PCR presenciadas, não é realizada qualquer manobra de socorro até à chegada da emergência médica”. Uma situação que a escassez de dispositivos agrava.

Em Portugal, adianta, existe em média um DAE por cada 10 mil habitantes, enquanto nos Estados Unidos da América haverá 80 para o mesmo rácio. O manuseamento destes equipamentos carece contudo de formação específica, pelo que o projeto contempla o treino de cidadãos não médicos. A formação destes operacionais tem uma duração de sete horas e é credenciada pelo INEM.

(Notícia publicada na edição impressa de 7 de novembro de 2019 e editada)

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André Teodósio desenvolveu o projeto depois de um amigo ter sido salvo com a ajuda de um desfibrilhador

Estima-se em cerca de 10.000 os casos de paragem cardiorrespiratória (PCR) de origem cardíaca que ocorrem anualmente em Portugal, afetando maioritarimente grupos de risco, mas também pessoas aparentemente saudáveis, de qualquer idade, género ou condição física.

Segundo André Teodósio, a probabilidade de sobrevivência da vítima está diretamente ligada ao tempo que decorre entre o colapso e o início de manobras de Suporte Básico de Vida e Desfibrilhação Automática Externa. “Potenciar a prática de DAE, num máximo de 3 minutos após o colapso, visa aumentar em 74% da taxa de sobrevivência”, refere, adiantando que nos locais onde não existem programas de DAE instalados, estima-se que apenas 5% das vítimas de paragem cardiorrespiratória sobrevivem.

Outros estudos revelam que as hipóteses de sobrevivência decrescem 10% por cada minuto que uma vítima passa em paragem cardiorrespiratória. Aos 5 minutos, a vítima tem apenas 50% de hipótese de sobreviver, reporta.

Projeto foi contemplado com uma verba de 40 mil euros para um periódo de três anos e meio Foto: Freepik