Identidades digitais é o tema do evento Ciclos de Comunicação 2020 que termina hoje, organizado pelos alunos do curso de Comunicação e Media, do Politécnico de Leiria

Alunos do curso de Comunicação e Media, do Politécnico de Leiria, organizaram a 12ª edição do encontro com foco na comunicação  Foto: Ciclos de Comunicação

“É a minha sala de estar: só entra quem eu quero”. A frase, fora de contexto, poderia aplicar-se facilmente ao ambiente offline, mas quando a disse, a jornalista Rita Marrafa de Carvalho, da RTP, fazia mesmo referência aos seus perfis nas redes sociais. A conversa fez parte da 12ª edição dos Ciclos de Comunicação, uma iniciativa realizada anualmente pelos alunos do 3º ano do curso de Comunicação e Media, da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS), do Politécnico de Leiria, onde se abordou ainda a forma como os comunicadores se têm posicionado nas suas páginas pessoais, as diferenças de cobertura por parte da comunicação social e a relação com o discurso de ódio nas redes.

Ontem, quarta-feira, no segundo dia dos Ciclos, o tema “Publicar ou não publicar? Eis a questão” levou os oradores convidados João Estróia Vieira, By Castro e Rita Marrafa de Carvalho a falar sobre como se posicionam pessoal e profissionalmente nas redes sociais e ainda como lidam com os chamados haters, isto é, utilizadores que fazem comentários frequentes de ódio.

Editor do portal Comunidade Cultura e Arte, João Estróia foi enfático ao dizer que nunca se sentiu coibido a abordar qualquer assunto nos seus perfis. “Nas minhas redes sociais segue quem quer”, lembrou. Em no site profissional, o jornalista disse que tem uma maneira muito direta de lidar com os discursos que habitualmente envolvem racismo e xenofobia: o botão bloquear. “Porque a lei portuguesa assim nos permite fazer”, sublinhou, completando que, em casos de preconceito, não há dúvidas quanto a exclusão de comentários do género.

João Estróia Vieira, By Castro e Rita Marrafa de Carvalho foram os convidados do segundo dia de painel  Foto: Ciclos da Comunicação

Rita Marrafa, jornalista há 23 anos, falou ainda sobre a constante busca por “likes”, tão estimulante aos produtores de conteúdo na internet. “É muito fácil publicar uma notícia para provocar a sedução das pessoas”, garantiu, acrescentando que, neste contexto, é preciso ter ainda mais cuidado com abordagens sensacionalistas. “Acima de tudo está a nossa consciência”, frisou.

Os Ciclos de Comunicação tiveram início na terça-feira e o evento deste ano contou, pela primeira vez, com um webinar, uma videoconferência com a participação de cinco convidados, entre eles a jornalista leiriense Marta Leite Ferreira, do Observador, e a blogger de lifestyle Dora Matos.

Como representante do primeiro jornal exclusivamente digital em Portugal, Marta sublinhou como o processo de construção de notícias vêm a mudar com o advento das plataformas online. “Estamos exclusivamente na internet”, lembrou. “Estamos refém deste paradigma digital”. O facto de as redes sociais também servirem de meio para apuração das informações foi citado ainda como um meio facilitador para os jornalistas, enquanto perceber os diferentes formatos possíveis para a construção de conteúdo online passou a ser um desafio para os profissionais, que agora precisam de se preocupar ainda mais com novos ângulos e plataformas de distribuição.

Esta quinta-feira, acontece o último e terceiro painel da conferência. Desta vez, o tema para debate é “Publico, logo existo”, e contará com a participação de Francisco Véstea, da empresa Samyroad, de Joana Nabais, da Cheese me, e de Helena Marteleira, da Wake up. O painel tem transmissão em direto, através de link divulgado na página do evento.

 

Jessica Germano
Jornalista
jessica.m.germano@regiaodeleiria.pt