O Nazaré Tow Surfing Challenge, prova de ondas gigantes que hoje decorreu na Praia do Norte, foi um sucesso, apesar do acidente que sofreu o português Alex Botelho, consideraram os surfistas e a Liga Mundial de Surf (WSL).

“Isto não são ondas grandes, são ondas mesmo gigantes, porque nem é possível entrar nelas a remar, só com o auxílio da mota de água”, afirmou à Lusa Francisco Spínola, diretor-geral da WSL para a Europa, África e Médio Oriente, quando a competição ia a meio, destacando os desempenhos “incríveis” dos melhores surfistas do mundo nestas condições desafiantes.

E acrescentou: “Não podíamos estar mais satisfeitos com o resultado desta primeira edição, com o público a aderir em massa, quer os portugueses, quer os estrangeiros”.

Por seu turno, Garrett McNamara, o havaiano que colocou a Nazaré no epicentro mundial das ondas gigantes, e ex-recordista da maior onda surfada, admitiu à Lusa que gostava de ter surfado nas ondas que hoje quebraram na Praia do Norte, realçando que, apesar de, à distância, e apesar da dimensão, as ondas parecerem “amigáveis e suaves”, dentro de água o risco era muito elevado.

Alex Botelho Update

Big Wave Surfer Alex Botelho was involved in a very serious incident during the Nazare Tow Surfing Challenge. He was rushed to the hospital and we now have an update on his condition. Currently, he is stable and conscious. He will stay at the hospital for further evaluation.A heartfelt thank you to the safety and medical teams for their quick response. We are wishing Alex a full and speedy recovery.

Publicado por World Surf League em Terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Apesar do susto a situação clínica de Alex Botelho está controlada Vídeo: WSL

Algo que se veio a confirmar mais tarde, quando o surfista português Alex Botelho sofreu um acidente na reta final da prova, tendo sido resgatado inconsciente da água e transportado para o Hospital de Leiria, ainda que com uma situação clínica “estável”, segundo disse à Lusa Nuno Oliveira, o médico que o assistiu.

“Foi um excelente ‘call’ [chamada, ou luz verde à competição]”, assinalou McNamara, considerando que “era impossível ser melhor, porque as condições estão perfeitas, há ondas o dia todo, e está o tamanho certo, sem ser grande demais”.

O veterano ‘big rider’, de 52 anos, estimou que as maiores ondas do dia tenham chegado aos 60 pés, isto é, mais de 18 metros.

“Está a ser um dia lindo, temos condições sólidas, estamos todos a salvo e estamos a dar um espetáculo digno. Estou muito feliz. Foi uma chamada perfeita”, destacou à Lusa o surfista espanhol Axier Muniain, também antes do episódio que envolveu Alex Botelho.

Finalmente, Nicolau von Rupp (Nic), surfista português que também competiu hoje no ‘canhão’, vincou que o Nazaré Challenge teve uma estreia “em grande”, com “condições épicas” e ondas “perto dos 20 metros”, ou seja, a bater próximo da marca do recorde mundial que está com o brasileiro Rodrigo Koxa (24,38 metros de altura).

“Correu tudo bem até ao último ‘heat’ [bateria], quando tivemos um incidente com um grande amigo meu, que é o Alex, que teve um acidente que lhe ia tirando a vida. Não há melhor forma de o dizer. Aliás, tirou-lhe a vida e, felizmente, o universo quis dar-lhe mais uma chance e trouxe-o de volta para nós”, comentou à Lusa Nicolau von Rupp.

Segundo o atleta, este acidente demonstra o perigo que correm os surfistas de ondas gigantes, especialmente, quando desafiam as poderosas vagas da Praia do Norte.

“São montanhas de água, toneladas e toneladas de água que caem em cima de nós. Não sei se o corpo humano está feito para levar com ondas deste tamanho e com tanta pressão”, ilustrou, vincando que este é um “desporto de risco” e que “a vida humana é muito superior a um ego de querer surfar uma onda maior”, pelo que, na sua opinião, Alex Botelho é o grande vencedor do dia.

Francisco Spínola, que, depois do acidente com o surfista algarvio, apontou para o plano de salvamento montado pela organização e a preparação física de Alex Botelho como fatores fundamentais para que tenha sobrevivido ao grande susto do dia.

“Quando digo que a Nazaré é o Evereste do surf, é mesmo. E no Evereste todos os anos morrem pessoas. É muito importante que o público perceba o risco que correm estes atletas, que parece que fazem disto uma coisa fácil, mas que pode ser fatal”, concluiu.

 

Lusa