Os agentes funerários da zona de Leiria e do país estão preocupados com o risco de propagação do novo coronavírus em funerais e pedem às populações que não participem em velórios e cerimónias fúnebres.

O apelo, que visa a proteção dos cidadãos e a segurança dos profissionais do sector, tem sido partilhado através de comunicados nas redes sociais, seguindo recomendações da Associação de Agentes Funerários do Centro (AAFC), que tem sede em Leiria.

Além de recomendarem a não colocação de editais de falecimento nos locais habituais de modo a evitar aglomerados de pessoas, as agências aconselham também as famílias enlutadas a limitarem a sua divulgação.

As recomendações passam ainda por manter as urnas fechadas, e que estas saiam diretamente das morgues ou das casas mortuárias (caso haja velório) para o cemitério ou para o crematório, sem realização de cortejos a pé.

Frisando que as medidas “não são obrigatórias”, os agentes funerários consideram contribuírem para prevenir e conter a doença.

Evitar o contacto físico ou dar condolências com abraços, beijos ou apertos de mãos, lavar as mãos com sabonete ou álcool, e manter a distância dos outros são outros conselhos que as funerárias deixam aos cidadãos.

“A dor do momento em que perdemos um ente próximo é grande mas acreditamos que em momentos difíceis como este, a união da população no cumprimento destas medidas é imprescindível para evitarmos uma dor ainda maior”, lê-se num desses comunicados.

Ao REGIÃO DE LEIRIA, Jaime Alexandre, presidente da AAFC, admite alguma dificuldade por parte das populações em corresponder.

Nos dois funerais que realizou no último fim de semana, “as famílias quiseram fazer velório, referindo que haveria poucas pessoas, mas quando nós lá chegamos a casa mortuária estava cheia”.

Ainda assim, nota que o facto da Igreja ter suspendido os cultos religiosos contribuiu “para que as pessoas começassem a perceber que isto é mesmo grave”.

Em contraponto, adianta ter um funeral amanhã, terça-feira, sem velório, em que o corpo sairá diretamente da morgue para o cemitério.

“Esse é procedimento que nós queremos que se aplique a todos, tanto para a salvaguarda das famílias e comunidade como para nós”, defende, adiantando não haver orientações específicas para os funerais.

A fazer eco destas preocupações, o presidente da Associação Nacional de Freguesias (Anafre), Jorge Veloso, pedia, na passada sexta-feira, ao Governo esclarecimentos sobre a forma como podem decorrer os funerais nos vários municípios.

“Estamos com um problema neste momento, que tem a ver com realização de funerais, por vezes há concentração de massa humana a acompanhar os mesmos e ainda não há uma decisão, esperamos dentro de horas completar essa informação”, afirmou Jorge Veloso, citado pela agência Lusa.

“Não podemos impedir ninguém de entrar nos cemitérios mas podemos restringir o acompanhamento dos funerais à família”, sugeriu, pedindo que esta situação seja regulamentada.

Entretanto, hoje à tarde, segunda-feira, a Direção-Geral da Saúde (DGS) emitiu uma norma dirigida aos profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e do sector funerário que prestam cuidados post mortem.

Aos trabalhadores que participarem em funerais ou na preparação de cadáveres com infeção suspeita ou confirmada, alerta para “o risco potencial de infeção” e para o cumprimento rigoroso das medidas de proteção ao nível da higiene pessoal e equipamento individual.  Embora sublinhe não ser obrigatória, a DGS recomenda preferencialmente, nestes casos, a opção pela cremação.