O surfista português Alex Botelho tem enfrentado um dos “maiores desafios” da sua vida na recuperação do grave acidente sofrido no campeonato de ondas gigantes, na Nazaré, há dois meses.

“Há sete anos tive uma lesão nas costas que foi desafiante pelo tempo de recuperação, mas esta é o maior desafio pela intensidade inicial, pois estive entre a vida e a morte. Emocionalmente é processo muito duro, mas, ao mesmo tempo, um momento de aprendizagem muito bonito”, confessou Alex Botelho, à agência Lusa.

O ‘big rider’ algarvio, de 29 anos, teve a sobrevivência em risco na sequência de um wipeout (uma queda) durante o Nazaré Tow In Challenge, do circuito mundial de ondas gigantes, em 12 de fevereiro.

Alex Botelho foi projetado por uma onda e acabou por embater numa mota de água da equipa de segurança, perdendo os sentidos e entrado em paragem respiratória. Assim terá estado durante 10 minutos, até ser resgatado.

Depois de quase três semanas no hospital, o trabalho de recuperação do surfista continuou em casa, mas quando estavam a começar as sessões de fisioterapia a pandemia de Covid-19 forçou-o a um isolamento social que atrapalha o processo.

“Tive de me adaptar e passar a ter muita disciplina, e alguma criatividade, para conseguir fazer o necessário para recuperar em casa. O fator psicológico é fulcral, e tento manter-me positivo e consistente, com uma rotina diária que me dê estabilidade para puxar pelos limites”, partilhou.

O facto de a sua companheira ser osteopata tem sido um enorme apoio para Alex Botelho, ajudando-o a descobrir os exercícios caseiros certos para “superar, com cuidado, as necessárias etapas e não puxar demasiado para evitar retrocessos”.

“Estou muito melhor, já consigo fazer as minhas tarefas diárias, de me levantar, andar, subir escadas, e sem sentir um esforço. Dantes, ficava logo cansado com qualquer coisa. Direi que já estou a 60% da minha recuperação”, avaliou.

Mais difícil tem sido gerir as saudades do mar, da prancha e do surf, que, ainda assim, têm servido para domar o medo do regresso às ondas, mesmo quando as memórias do acidente são muito difusas.

“Lembro de algumas coisas antes e depois do acidente, mas logo que saí do hospital tive essa saudade de regressar à água. É um sentimento que é a cada vez é maior. Claro que também ainda sinto o medo, mas acredito que posso capturar essa energia para servir de motivação para o superar. É um desafio para ser encarado de forma positiva”, vincou.

Um desafio, mas para a modalidade, tem sido a pandemia de Covid-19 que limita a possibilidade da prática de surf nas praias nacionais.

Alex Botelho assegura que os surfistas têm cumprido o dever de confinamento, dando “um bom exemplo à sociedade”.

“A comunidade nacional está a fazer um bom trabalho nesse sentido, e pelo contacto que tenho, com amigos e colegas que praticam surf, sei que a maioria tem cumprido as recomendações de ficar em casa e incentivando os outros a também o fazerem. O que tenho visto são alguns estrangeiros que cá estão e continuam a ir praticar”, concluiu.