As alterações que foram realizadas ao projeto inicial do Centro de Negócios de Leiria no topo norte do estádio municipal catapultaram o investimento para os 13 milhões de euros contra os 7,5 inicialmente orçamentados.

O município de Leiria aprovou na reunião desta terça-feira, 21, uma alteração ao projeto-base para transformação do topo norte num centro de negócios, que passou a ter uma estimativa de custos de 12.997.860 milhões de euros, um acréscimo de 5,5 milhões de euros face ao projeto inicial.

Segundo uma nota da câmara, o aumento justifica-se “pelas melhorias introduzidas, de forma a tornar este espaço atrativo ao investimento na área das novas tecnologias, espaço que passará ainda a acolher um Centro Associativo e de Artes”.

De acordo com um documento sobre o projeto, as alterações resultam da participação de um conjunto de entidades externas, como o Politécnico de Leiria, Nerlei – Associação Empresarial da Região de Leiria e o grupo TICE.Leiria, e diversas entidades associativas, quer da área da cultura, quer da área do desporto, “tendo os contributos enriquecido o projeto”.

Segundo a autarquia, no que diz respeito ao Centro de Negócios de Leiria, a grande alteração passa pela melhoria das instalações em termos técnicos, tecnológicos e de segurança do edifício, que se torna “moderno e inteligente”.

Será feita a instalação de um piso técnico essencial para permitir a instalação de empresas de matriz tecnológica, destacando-se ainda uma alteração na fachada interior do estádio, de forma a permitir a visualização do relvado, e a criação de uma zona de lazer.

O projeto base para o topo norte, em que foi necessário efetuar um reforço das medidas de segurança, contempla ainda um Centro Associativo e de Artes para acolher todo o tipo de associações e atividades culturais, com pisos destinados para a prática de Dança, para a Música e para a prática de Artes Performativas e Artes Plásticas.

Quanto à torre nascente, após um longo processo negocial com vista à alienação deste espaço à Autoridade Tributária, “esta instituição acabou por recuar, passando a pretender o arrendamento do mesmo, mas numa área inferior à inicialmente negociada”, informa ainda a nota de imprensa.

Este investimento, adianta o Município liderado por Gonçalo Lopes, será, a médio prazo, “fundamental para produzir investimento na produtividade e na inovação, sendo fundamental para o período pós-covid-19, em que são necessários novos rumos estratégicos para a economia de Leiria”. 

Numa nota enviada à agência Lusa, os vereadores do PSD revelam que se abstiveram na votação do projeto, criticando o aumento, que consideram um “valor obsceno”.

“Não foi feito um estudo económico de suporte a futuras utilizações, nem definida qualquer tipo de gestão/exploração (fundamentação utilizada para a suspensão do Pavilhão Multiusos), não se sabem quantas e quais o tipo de empresas que irão ocupar este espaço” e o “valor de metro quadrado cifra-se nos 490 euros/m2 (aumento de 60% face ao inicial)”, criticam os sociais-democratas.

Para os vereadores da oposição, dificilmente esta obra custará menos de 15 milhões de euros, “com custos de manutenção colossais”.

Considerando que o projeto merece discussão pública, os sociais-democratas alertam que o projeto “será inteiramente suportado pelos cofres da câmara”.

“Face à situação de emergência que se vive atualmente em todo o país, consideramos que, nesta altura, existem outras prioridades para os leirienses, nomeadamente na consolidação da coesão social”, destacam.