Mais de quatro dezenas de migrantes residentes numa freguesia das Caldas da Rainha foram ontem testados para a covid-19, por um dos homens ter estado num hostel, em Lisboa, onde foram detetados 136 casos positivos.

Os 43 migrantes, de várias nacionalidades, foram testados em duas salas da União de Freguesias de Tornada e Salir do Porto, “por determinação das autoridades de saúde”, após terem tido conhecimento de que “um dos homens veio do hostel de Lisboa [onde foi detetado um surto de covid-19]”, disse à agência Lusa o presidente da junta, Arnaldo Custódio.

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De acordo com o autarca, o migrante, que integra um grupo de trabalhadores de uma exploração agrícola, “já cá estava desde o dia 3 de abril”, sem manifestar qualquer sintoma, “tal como acontece com os restantes, não havendo para já qualquer suspeita de infeção”.

Os 43 trabalhadores, oriundos do continente africano, Nepal e Índia, estão divididos em dois grupos, de 29 e de 14 pessoas, que residem “numa casa e num turismo rural”, em Salir do Porto, numa área que “desde segunda-feira está circunscrita pela GNR” para que “cumpram o isolamento determinado pela autoridade de saúde”.

Apesar de viverem a menos de um quilómetro da junta de freguesia, os migrantes foram “transportados num autocarro da câmara [das Caldas da Rainha] para não circularem a pé na localidade”, confirmou à Lusa o presidente do município, Fernando Tinta Ferreira.

Os homens, com idades entre os 20 e os 30 anos, prestam serviço numa exploração agrícola da freguesia, contratados através de uma empresa de trabalho temporário que, segundo Arnaldo Custódio, “desde segunda-feira tem acompanhado a situação e hoje acompanhou também a realização dos testes”, cujos resultados deverão ser conhecidos dentro de 48 a 72 horas.

Arnaldo Custódio disse à Lusa que caso haja trabalhadores infetados com covid-19 “o concelho está preparado com instalações onde os mesmos possam cumprir quarentena, se tal for determinado pelas autoridades de saúde”.

O ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, afirmou na quarta-feira que está a ser feito “um levantamento” pelas juntas de freguesia, câmaras e proteção civil de vários pontos do país sobre as condições em que se encontram grupos de migrantes, admitindo que o Governo terá que “estar preparado” para a possibilidade de serem detetadas outras situações semelhantes à encontrada no hostel em Lisboa, cujos ocupantes foram realojados na Base Aérea da Ota.