“Não vamos permitir mais um crime climático”, dizem as organizações da campanha “Gás é andar para trás”, depois de terem sido chumbadas, no Parlamento, propostas de cancelamento e suspensão dos contratos de prospeção e exploração de gás nas freguesias de Aljubarrota e Bajouca.

Os ativistas garantem que vão estar junto das populações locais e “não permitirão que estes furos aconteçam”. Acrescentam ainda que utilizarão “todos os meios necessários”, incluindo bloquear estradas e parar máquinas com os próprios corpos.

O Bloco de Esquerda e o Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) apresentaram duas propostas no Parlamento que requeriam o cancelamento dos contratos de prospeção e exploração de gás e o Partido Comunista Português (PCP) entregou uma terceira proposta, desta vez para suspensão dos mesmos contratos.

As três iniciativas foram chumbadas no Parlamento, no início do mês, e as organizações da campanha “Gás é andar para trás” reagem, em comunicado, dizendo que “não vão permitir que os trabalhos se desenvolvam”.

Ainda não existem datas previstas para a realização dos primeiros trabalhos mas, entretanto, a Australis Oil & Gas, detentora das concessões, “já adquiriu dois terrenos” na duas freguesias dos concelhos de Alcobaça e Leiria.

A nota refere ainda que as propostas do BE, PEV e PCP foram chumbadas “numa altura em que se aguarda que a empresa (Australis) entregue o Estudo de Impacte Ambiental (EIA)”.

As 21 organizações, nacionais e locais, que constituem a campanha “Gás é andar para trás” alertam o Governo de que se vive uma crise climática que não pode ser enfrentada “utilizando os mesmos recursos que nos trouxeram até ela: os combustíveis fósseis”.

A campanha pretende “desconstruir a retórica falsa de que o gás fóssil, chamado normalmente natural, é mais limpo do que os restantes combustíveis fósseis, pois o gás é apenas um combustível fóssil e é mais uma maneira de nos manter reféns da centralização da produção de energia e também das empresas de combustíveis fósseis”.

As organizações aguardam agora que a empresa concessionária entregue o EIA para “dar início ao processo de consulta pública” e depois aguardar pela resposta da Agência Portuguesa do Ambiente no que respeita à atribuição da licença ambiental à Australis.

Mas garantem: “Nessa altura, nós iremos estar juntamente com as populações locais e não permitiremos que estes furos aconteçam. Iremos utilizar todos os meios necessários, que incluem bloquear estradas, parar máquinas com os nossos corpos para não permitir que estes furos aconteçam”.

Anteriormente já houve manifestações da população da Bajouca, que se mostrou contra o furo de gás na freguesia. Também a Câmara de Leiria se pronunciou sobre o assunto ao aprovar, em reunião do executivo, uma moção contra a prospeção e exploração de gás na Bajouca.

Pouco antes, a Assembleia Intermunicipal da Região de Leiria (AIRL) deliberou, em reunião, transmitir aos ministérios com as áreas da Economia e do Ambiente a “maior preocupação” da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL) face a este tema.

Bajouca saiu à rua para dizer “não ao furo” em nome do “futuro”