“Até que ponto valerá a pena investirmos tanto no estatuto institucional do aluno se ignorarmos completamente aquilo que é o seu estatuto civil e pessoal?”.

Esta é uma das muitas reflexões que o professor do ano, Rui Correia, convida a fazer no seu novo livro, “cá dentro – o lugar da escola nos nossos miúdos”.

O vencedor do Global Teacher Prize Portugal 2019 troca o termo convencional “aluno” por “miúdos” e explora a importância da biografia de cada estudante na relação com o estabelecimento de ensino.

“A escola está empenhada em descobrir aquilo que é o aluno e muito menos em descobrir aquilo que é a pessoa”, explica Rui Correia.

O novo livro é uma “mochila de ideias” que podem ser aplicadas em casa e na sala de aula e que ajudam a inverter a problemática.

O professor do ano, que leciona nas Caldas da Rainha, acrescenta que o livro “procura falar da vida dupla que os miúdos têm e que, muitas vezes, é preterida em função do próprio estatuto de aluno”.

Rui Correia esclarece que o público alvo não são os professores, mas todas as pessoas que “tenham interesse em entender a educação como um ato cívico e um ato de cultura e não como um ato institucional”.

O livro trabalha o papel dos encarregados de educação e, sobretudo, a importância individual de cada estudante no sistema educativo. O docente considera que a “pegada ambiental do aluno tem que aumentar” e que deve ser ele “o motor do sistema educativo”.

“Não faz sentido que todo o sistema se baseie na ideia de inclusão e depois se peça, essencialmente, que os alunos deixem os professores dar aulas”, completa.