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Óbidos já sabe quantas pessoas entram e saem da muralha

O Município pediu e o Óbidos Parque respondeu através de uma das suas empresas. A entrada e saída de pessoas da vila já é monitorizada.

interior da vila de Óbidos

Já era uma necessidade antes da pandemia e as medidas de mitigação e combate à Covid-19  vieram acelerar vários processos de digitalização. Desde julho, está a funcionar em Óbidos um sistema de monitorização do número de pessoas que circula no interior da muralha.

Por enquanto, a contagem faz-se apenas com base num sensor, instalado na porta principal, mas em breve outros três serão colocados nas restantes entradas da vila.

O projeto foi solicitado pelo Município ao Óbidos Parque – Parque Tecnológico de Óbidos que respondeu através de uma das suas empresas – a MakeWise – envolvendo ainda três escolas superiores do Politécnico de Leiria: Turismo e Tecnologia do Mar, em Peniche, Tecnologia e Gestão, em Leiria, e Artes e Design, em Caldas da Rainha.

A Make Wise é uma das empresas instaladas no Óbidos Parque

O Data Lab , assim se designa o projeto, efetua o controlo de pessoas na vila, em tempo real e de forma anónima, com recurso a um sensor de visão inteligente que analisa a informação, extrai os dados e descarta as imagens, de modo a garantir a proteção de dados. O sistema está ainda preparado para emitir alertas sempre que a capacidade máxima, fixada em 875 pessoas, estiver a ser atingida.

Este é um dos projetos que a pandemia fez florescer no Óbidos Parque. Miguel Silvestre, diretor executivo, adianta que o turismo é uma das áreas em que o parque tecnológico tem desenvolvido projetos interessantes nos últimos meses. “É o sector que nos está a desafiar mais, em que a procura de ajuda na digitalização se está a verificar. O sector está a tentar perceber onde e como vai investir, é uma questão de sobrevivência pura”. A pressão está a sentir-se na hotelaria, mas também na restauração e no comércio ligado ao turismo. “Os comerciantes dizem-nos que nunca ligaram ao marketing digital, mas que agora têm de fazer alguma coisa”.

Temos tido projetos muito interessantes de turismo e com empresários da vila de Óbidos que, de repente, assistiram a uma mudança de 180 graus naquilo que era a forma de trabalhar”

Miguel Silvestre, diretor executivo do Óbidos Parque

Óbidos, no domínio turístico, é “uma grande mais-valia que ainda não foi devidamente explorada”, refere. “Temos obrigação de usar a vila como espaço para trabalhar essa área e vai ser um dos enfoques no futuro”.

Óbidos Parque com 90% de ocupação

Apesar do Data Lab e das iniciativas através das quais o Óbidos Parque tem procurado dar apoio às empresas em matéria de marketing digital, Miguel Silvestre não sente que haja “um movimento de massas” a caminho da digitalização. Há, por agora, “uma consciência generalizada” dessa necessidade. “Durante muito tempo falámos sozinhos sobre esse tema”, conta. Agora sente que podem existir avanços quando houver confiança e perspetivas de mercado e de negócio.

O próprio parque tecnológico tem trabalhado no sentido de ser mais digital nalgumas áreas. “Sempre estruturámos o nosso trabalho ao longo destes anos para gerar networking essencialmente físico entre as pessoas”. Agora, na segunda edição do Start Up Óbidos – programa de apoio ao desenvolvimento e aceleração de ideias de negócio para a economia digital –  todas as ações decorreram através de uma plataforma online.

Em termos de ocupação, a pandemia não provocou grandes oscilações no parque. A saída e entrada de empresas manteve a taxa de ocupação nos 90%. A este sinal positivo Miguel Silvestre soma outros dois: empresas já ali instaladas que ampliaram o seu espaço e outras, nomeadamente de Lisboa, que manifestaram interesse em mudar-se para Óbidos.

“A pandemia acelerou algumas decisões”, refere, por isso entende que, mesmo em períodos de crise, “é importante não baixar os braços e estar próximo das empresas”. Essa é uma lição que já tinha tirado da crise de 2008 e que agora viu reforçada com a Covid-19.

ÓBIDOS PARQUE

Área/capacidade
2500 m2 para empresas e serviços

Número de empresas instaladas
38 em regime físico; 25 em regime virtual

Principais áreas de negócio
Desenvolvimento de software para as áreas da agricultura, transportes, saúde, biotecnologia, comércio e retalho; desenvolvimento de Hardware; design, arquitetura, web design, marketing digital.

Número de postos de trabalho
150

Serviços que disponibilizam
Espaços para instalação de empresas de base criativa, tecnológica e/ou digital (valor mensal/escritório inclui: Internet, sala de reuniões, acesso a auditório/conference room para realização de eventos, ar condicionado, energia, front office administrativo, sede social, comunicação, segurança, estacionamento – em regime livre -, copas, áreas comuns de utilização livre).
Apoio ao negócio e ao empreendedorismo: incubação, consultoria e acompanhamento, apoio no acesso a financiamento