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Desporto

Tita inaugura Lado F com camisola 8 da seleção nacional

Às centenas de camisolas que estão neste museu, juntam-se os equipamentos femininos. Internacional de Pedrógão Grande ficou surpreendida com o que viu

As duas primeiras camisolas femininas com o número 8, uma das quais da seleção nacional, já estão no Museu LP8 – Camisolas com história, em Leiria.

Este é o novo “capítulo” do projeto que há vários anos reúne camisolas de jogadores de futebol de todo o mundo e que agora entendeu que era o momento de abrir um espaço dedicado ao futebol feminino, o Lado F.

Mais uma vez, a quantidade não interessa, mas sim a história que está associada, seja pela forma como foi conseguida, seja pela titular da camisola.

Luís Paiva, o principal rosto do projeto, recebeu a dupla oferta das mãos de Ana Filipa Lopes, “Tita”, como é conhecida, que trouxe um bónus extra, a camisola amarela 77 do Cadima, onde começou a jogar futebol.

“É a primeira e única que usei”, garante. “Joguei lá cinco anos e foi quando fui à seleção. Conduzia a carrinha, ia buscar as jogadoras para os treinos e estudava. Fazia três treinos por dia: ia correr de manhã, antes de ir para a escola, ia para a piscina à hora de almoço e, à noite, para o treino. Só assim conseguia acompanhar o ritmo das outras jogadoras que também iam à seleção”, conta.

Ofereceu a camisola que vestiu quando foi à seleção nacional, igualmente com o número 8, mas sem nome na camisola. “Há cinco anos, as camisolas do futebol feminino não tinham nome. É algo recente, com dois, três anos. Agora já há nome da jogadora mas ainda não há nome ou data do jogo como no futebol masculino, em que qualquer particular tem sempre alguém, no momento, a fazer a estampagem das camisolas”, explica.

A jogar atualmente no Condeixa, na série norte da Liga BPI, a médio centro, de 31 anos, entregou ainda a camisola com o “número da sorte” do clube de Coimbra, assinada por todas as atletas.

Surpreendida com a dimensão do Museu, Tita está disposta a ajudar a espalhar a mensagem, de modo a ampliar o “canto” dedicado às mulheres, mas adianta que não será tarefa fácil, porque ainda são muitas as diferenças entre os dois géneros.

“Todas as atletas terão o maior gosto em participar, podem é não ter para dar. Quero acreditar que, no feminino, seja só esse o problema. Ter uma camisola de um jogador como o Chiquinho é fácil, ele recebe uma por semana. Nós recebemos uma, talvez duas por época e, naturalmente, a oferta acaba por ser para a família”, justifica.

No primeiro ano que jogou no Benfica, em 2018, recebeu duas camisolas, ambas com nome. Mas estar num chamado grande não significa facilidades. “Fazia 40 minutos a pé para o treino e depois o mesmo no regresso. Ninguém sabe disto”, acabou por revelar.

Luís Paiva recebeu da médio Tita, do Condeixa, as duas primeiras camisolas femininas do Museu com o número 8, uma da seleção nacional e outra do clube de Coimbra que joga na série Norte da I Liga nacional. E ainda a 77 do Cadima, o primeiro clube onde jogou Foto: MG

Até agora, no meio de camisolas emblemáticas de Lampard, Messi, Cristiano Ronaldo, Rui Patrício, Falcão, Nani, Robinho, …, apenas duas no Museu LP8 são femininas. Ambas pertencentes à internacional Sílvia Rebelo, jogadora do Benfica.

“O futebol feminino está a ter uma importância cada vez maior e queremos também divulgar aquilo que é a realidade. Sabemos que vão surgir novas equipas, na próxima época, e isso dá a possibilidade a este novo lado, o Lado F, de conseguir chegar até mais atletas”, justifica Luís Paiva.

Em simultâneo, a rede que dá apoio ao Museu está a reunir em livro onde todas as aventuras de angariação das camisolas, as viagens realizadas e as fotografias a oficializar a entrega, indica o leiriense de 47 anos, que reconhece já estar com falta de espaço para acolher as centenas de camisolas expostas no Museu LP8.