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Cultura

Um salto gigante para levar Leiria a rondar pelo mundo através da poesia

Durante dez dias, Ronda Leiria Poetry Festival vai concentrar as atenções do mundo literário. A partir de 12 de março há um programa de 65 horas com mais de 200 convidados de 40 países.

Os 400 anos da morte de Francisco Rodrigues Lobo inspiram uma proposta original a fechar o festival: Rita RedShoes musicará textos do poeta de Leiria Foto: Joaquim Dâmaso

Quem diria que em 2021 a poesia inspirava o evento que o município de Leiria considera o mais importante do ano da programação cultural? É mais uma consequência da pandemia: sem hipótese de fazer festas nas ruas ou levar festivais a palcos, Leiria aposta no digital e na potência da palavra escrita e dita para levar longe uma versão revista e aumentada de Ronda Poética. Lançado em 2015, o festival internacionaliza-se como Ronda Leiria Poetry Festival: entre 12 e 21 de março, mais de 200 autores de 40 países, contribuem para uma diversificada programação online, pensada para 65 horas de conversas, entrevistas, conferências, workshops, concursos, espetáculos musicais e performances poéticas.

“Nesta edição do Ronda demos um salto gigantesco, um salto para o mundo”, diz a vereadora da Cultura e Educação de Leiria. O município aposta “num grande festival internacional de poesia”, que funcione como “ponto de encontro de poetas e uma festa da palavra”, capaz de “colocar a poesia na agenda do público” e de “promover uma nova geração de poetas”, acredita Anabela Graça.

Pela poesia, Leiria quer também destacar-se no mapa da cultura nacional, frisa Celeste Afonso, coordenadora da Leiria Cidade Criativa da Música da UNESCO, que partilha a organização com o município e a livraria Arquivo. “O Ronda quer afirmar-se como o festival de poesia de referência em Portugal”, disse a coordenadora da equipa de curadores. Será, aliás, um “complemento” a referências como o Folio, de Óbidos, ou Correntes d’Escritas, da Póvoa do Varzim.

O programa pode ser consultado em leiriapoetryfestival.com

Motivado incapacidade de “viver sem poesia” e porque “Leiria tem poesia na sua génese”, Paulo José Costa, outro dos curadores desta edição, lançou Ronda Poética há seis anos. “Jamais imaginei que viesse a ter esta projeção”, admitiu o também poeta, classificando o programa para 2021 como “extraordinário”.

Da geração beat à poesia de intervenção jamaicana

A resposta ao repto lançado internacionalmente a várias instituições e a cidades criativas da UNESCO surpreendeu a organização. “Ronda tomou proporções que não estávamos à espera”, assume Anabela Graça. O programa é caleidoscópico: desde declamação de poesia em curdo a uma ação poética no Estabelecimento Prisional de Leiria, passando pela entrevista a uma lenda da Beat Generation, Jack Hirschman, ou à ligação a um festival jamaicano que promove a agricultura sustentável através da poesia, há muito por onde escolher. O francês Gilles Lipovetsky, o norte-americano Tyehimba Jess – Prémio Pulitzer pelo trabalho de exploração poética das noções contemporâneas de raça e identidade – ou Yoko Tawada, poetisa japonesa celebrada pela reinvenção da escrita, são nomes importantes no cartaz. De Portugal surgem José Luís Peixoto, Luís Tinoco, Regina Guimarães, Nuno Júdice ou José Anjos.

“Vamos rondar pelo mundo com a voz de muitos, muitos poetas”, antecipa Celeste Afonso. Com o festival, Leiria estabelece ligações da Europa ao oriente, de África às Américas, procurando inspirar em tempos difíceis.

“A poesia vai afirmar-se a partir de Leiria para o mundo”, promete Paulo José Costa, admitindo que, “mesmo online”, Ronda Leiria Poetry Festival permitirá apresentar a poesia “um antídoto para as emoções negativas que temos vivenciado” devido à pandemia: “É como um ingrediente essencial à nossa sobrevivência”.

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