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Caldas da Rainha

Movimento estudantil contra as propinas com protesto em Caldas da Rainha

A pandemia agudizou as desigualdades no acesso ao ensino superior e muitos alunos têm dificuldade em prosseguir os estudos, alegam as associações

O movimento estudantil nacional contra o pagamento de propinas no ensino superior encontrou eco no distrito de Leiria e sai à rua esta quarta-feira, dia 28, em Caldas da Rainha. A associação de estudantes da Escola Superior de Artes e Design (ESAD.cr), uma das impulsionadoras do protesto, agendou uma concentração às 13h30.

Também as associações da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Leiria (ESTG) e da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar de Peniche (ESTM) associaram-se ao movimento com outras cinco congéneres de Lisboa (AE FLUL, AE FCSH, AAUL), Porto (AE FBAUP) e Abrantes (AE ESTA).

Além de Caldas da Rainha, irão decorrer protestos em Lisboa, Porto, Évora, Braga, Faro, Covilhã e Coimbra.

“É Hora de Avançar, a Propina é pra Acabar!” é o mote da ação que visa contestar não só o pagamento de propinas num momento em que as famílias atravessam “dificuldades inegáveis”, mas também “a falta de financiamento no ensino superior e a falta de condições e camas nas residências”.

Margarida Patrocínio, presidente da AE EASD.cr, explicou à agência Lusa que têm recebido muitas queixas relativas às propinas, que “impedem os alunos de saberem as suas notas ou de se inscreverem em disciplinas dos semestres seguintes caso não tenham os pagamentos em dia”. No limite, acrescentou, houve estudantes que tiveram de “deixar o curso por acabar porque os custos das propinas juntavam-se aos da renda, transportes e comida” e a situação deixou de ser sustentável.

A AE ESAD.cr está a contar com a participação de “20 a 50 alunos” na concentração das Caldas da Rainha, mas espera que a adesão seja ainda maior.

Também em Lisboa deve haver uma “boa adesão e um número de estudantes como já não se vê há muito tempo”, de acordo com o membro da direção da AE da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH), João Carvalho.

O estudante da Universidade Nova de Lisboa defende que “a propina tem sido o principal meio de desigualdade no acesso ao ensino superior” e que os casos reportados à associação, de forma anónima, provam que a Covid-19 veio agudizar as desigualdades.

Um inquérito que realizámos no início do segundo confinamento dá conta que quase 30% dos estudantes se queixam que os custos no acesso ao ensino superior se agravaram em função da pandemia”, contou à Lusa.

“Queremos dizer ao Governo que é imperativo acabar com a propina. É preciso, para desenvolver o país e o futuro, uma política diferente para o ensino superior que atenue e apague estas desigualdades. Isso passa também por investir mais na ação social, bolsas e residências”, finalizou João Carvalho.

Na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP), a pandemia da Covid-19 também agravou as dificuldades dos estudantes, que lamentam a falta de resposta da instituição e do Governo e, por isso, a Associação de Estudantes (AE) não hesitou em acompanhar a iniciativa.

“Quando a AE ESAD.cr nos contactou para abrir o diálogo sobre a condição em que os estudantes se encontravam, vimos que havia problemas transversais a todas as faculdades”, explicou à Lusa a vice-presidente da AE FBAUP, Beatriz Félix.

“Muitos estudantes mostram dificuldade em conseguir dar resposta às despesas da faculdade, não só a propina, mas também com todo o material que nos é exigido”, relatou Beatriz, acrescentando que a AE nota também os efeitos da pandemia na saúde mental dos alunos.

Segundo a organização, foram endereçados vários pedidos de reunião com o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, que ficaram sem resposta até à data.

“Os estudantes estão fartos de não terem respostas e a dia 28 de abril farão ouvir as suas reivindicações. O ensino superior tem de ser gratuito e de qualidade”, sustenta a direção da AE ESAD.cr em comunicado, considerando ser tempo de “dizer basta aos entraves económicos que são as propinas” e de “exigir mais financiamento para a Ação Social Escolar”.

Com Lusa

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