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Autárquicas 2021

Luís Paulo Fernandes: “Governação na Câmara de Leiria é das piores que vejo no país”

Ainda não foi a votos mas o candidato do Chega à Câmara de Leiria diz que já está a ter resultados com as denúncias que tem realizado. Quer defender os interesses dos leirienses “com unhas e dentes” e está disponível para governar com outros partidos.

É natural e residente em Pedrógão Grande e foi deputado municipal, entre 2013 e 2019, pelo PSD. Como é que entrou na política?

Pela minha formação profissional. Não tenho vergonha de dizer que fui recomendado por um presidente de Câmara, Paulo Batista Santos, que olhou para mim em Pedrógão Grande não só como um empresário mas como um representante associativo com capacidades. O conselho deste presidente de Câmara, na distrital do PSD, levou-me a concorrer como deputado municipal independente. Num segundo mandato, depois da tragédia de Pedrógão Grande, não me restou alternativa. Acreditei no timing certo que o Chega é a alternativa às negociações particulares feitas pelos partidos do sistema.

É presidente da distrital do Chega e assume a candidatura a Leiria. Porquê?

Vai ser em primeira mão mas vou dizê-lo. Constatei um controlo que desconhecia que pudesse ser feito sobre partidos pequenos. Não queria acreditar. Tinha dois convites a pessoas fora do partido mas com grande qualidade a nível nacional. Seriam boas candidaturas mas enquanto aguardava pelas respostas, surge um grupo de empresários, os maiores de marca do concelho, que queriam influenciar e escolher o candidato. Não podemos aceitar influências sobre o candidato e decidi avançar eu.

Se for eleito, de que forma vai procurar resolver o problema de poluição suinícola?

Os 12 anos de Partido Socialista em Leiria com este problema demonstram uma falta de rigor, de coragem. O que foi feito foi enganar as pessoas. O lema é “Chega de demagogia, Chega de burocracia”. O governo central e o governo de Leiria têm permitido crimes ambientais, são os principais responsáveis, e não sabem a estratégia a tomar. A ETES andou para trás e para a frente. Com o mesmo dinheiro das floreiras [da av. Heróis de Angola], constroem-se centrais de armazenamento de efluentes. É imperativo, no primeiro mês que tomar posse, construir duas ou três centrais de armazenamento, ou seja, a própria Câmara tem que assumir, meio milhão de euros, um milhão de euros, não é nada, para evitar descargas. As cisternas não são caras e dão para armazenar durante um ano. E depois, se a ETAR do Coimbrão não é suficiente, vamos construir a ETES. A grande obra do saneamento na baixa da cidade não foi feita, e é uma fonte de poluição maior do que as descargas na ribeira dos Milagres. É um presidente que sabe de todos os processos e mais uma vez é conivente e não arrisca fazer o saneamento em ano de eleições. Arrisca fazer tantas obras em cima do joelho, os elevadores, o Mercado municipal e a avenida Nossa Senhora de Fátima,… parece que estamos num país de terceiro mundo. Há um falhanço total nas obras e ninguém assume a responsabilidade.

Deduzo, por essa análise, que o balanço que faz da governação socialista na Câmara de Leiria não é positivo?

É um não satisfaz menos, menos, menos. É das piores notas que vejo no país. Pensei que podia haver um caso mas são demasiados e as denúncias que faço são fundamentadas. Não admito que hoje a resposta oficial do presidente da Câmara diga que o edital da obra do Mercado não está colocado devido a intempéries. É uma vergonha, estamos a falar de alguém que não merece a confiança dos leirienses. A minha missão, neste momento, é convencer os leirienses de que ele não merece confiança. É muito complicado passar mais um cheque de quatro anos em cima de mais 12 anos. É demasiado grave.

E que balanço faz da oposição?

Não existe. Esqueço-me que há PSD em Leiria. Não tem o apoio nacional, nem distrital, é um candidato que está morto à nascença e que é insignificante. Não criticam coisas que eu, em pouco tempo, critico. Não tenho dúvidas nenhumas que se não ganhar a Câmara, seremos o terceiro partido.

O que é uma vitória para si?

Pode ser a vitória, governar Leiria. Começo a acreditar, sinceramente, que se os leirienses refletirem na falta de respeito que estão a ser tratados, na falta de acompanhamento e na falta de coragem de se assumir que se erra… As pessoas têm receio de dizer que votam Chega. Neste momento ainda não fomos a eleições e sei que as descargas já reduziram e que os empresários já têm esperança em alguém, ganhando ou ficando na oposição.

Candidato Luís Paulo Fernandes tem 44 anos e é líder da distrital de Leiria do Chega

Porque é que as pessoas têm receio em assumir o apoio ao Chega?

A forma como foi criado um bicho papão num partido que era contra certas comunidades e certas cores de pele, teve uma campanha de marketing que, não tenho dúvidas, no prazo de dois anos, quem a fez vai sofrer. Temos que saber que ao influenciar, temos que ter a responsabilidade de saber influenciar também. A imigração descontrolada que existe em Leiria é enorme e não está a conseguir colmatar a falta de mão de obra. Dos bairros de Leiria saem os maiores vídeos para o Brasil a explicar como é que se vive em Portugal, bem e sem trabalhar. Não é um nem dois. Mas não estamos preocupados em saber se as pessoas vieram e têm condições de ter um trabalho, pagar uma habitação? Não pode ser assim. Nós, portugueses, vamos para outros países com contrato de trabalho, não a pensar numa reforma, numa segurança social ou numa baixa.

Mas esse é um problema que não é exclusivo de Leiria…

A mão de obra que precisamos vem, mas sem controlo. Necessitamos de todos mas com uma estrutura muito bem organizada. Se não temos oferta de emprego, habitação e assistência social, não faz sentido estas comunidades virem para Portugal. Estamos a receber peritos em assistência social, em conseguir apoios sociais.

Qual a sua posição relativamente à abertura da BA5 à aviação civil e à alta velocidade?

É uma decisão à semelhança do ambiente que tem avanços e recuos e vai permitir ao Chega e ao Luís Paulo Fernandes ter uma grande votação em Leiria. Porquê? Não vamos entrar em grandes e superfulas ideias de promessas, porque as pessoas estão fartas disso. A aposta deve ser na modernização da Linha do Oeste com mais potencial turístico. A linha de alta velocidade que foi prometida assim como o aeroporto – da minha parte prefiro a linha de alta velocidade -, serão bons para a região. A CIMRL não pode estar debaixo de pessoas sem coragem, que um dia falam no aeroporto, no outro na alta velocidade, e deixam os políticos no núcleo central a fazer o que querem. Um bom autarca tem que ser capaz de defender os interesses das pessoas, não tem que estar submisso. Prefiro que me ignorem e me descriminem, do que ser conivente com essa política.

Se a solução para retirar o PS do poder, passar por juntar-se a outro partido, coloca essa hipótese?

Estamos autorizados a fazer, pós-eleições, todas as possibilidades de governação. Apesar de denunciar o governo local e este presidente ao mais alto nível, tudo é possível. Não vamos estar preocupados em votar contra ou tornar isto ingovernável. Não ponho fora de questão sentar-me com vereadores de outros partidos, assim me seja atribuído um pelouro ou faça atribuir. Assumirei a defesa de interesses dos leirienses com unhas e dentes.

Na sua opinião, o que é que os Municípios devem fazer para garantir a sustentabilidade da imprensa regional?

Não têm que ser os Municípios. A imprensa tem que ser tratada como algo muito independente. Diretores, jornalistas, têm que ter uma garantida de trabalho, uma sustentabilidae de trabalho, que lhes permita fazer o trabalho com isenção e sem interferências. Eu não posso admitir que se tiver dinheiro compro uma página ou faça influência de uma empresa e que isso seja o sustento de um órgão de comunicação social. O Orçamento de Estado deve ter contemplada uma verba para a comunicação social e essa verba não deve estar dependente do número de deputados eleitos. Isto é para ontem. A comunicação social é o garante da democracia e eu prezo muito a democracia. Nenhum jornalista ou diretor de um jornal tem que estar dependente de um interesse, lóbi ou publicidade. Os jornais devem informar e promover o esclarecimento sem estarem dependentes de ajudas locais. Foram criados vícios durante a pandemia que não podem colocar em causa o sistema de informação.

Perfil

Luís Paulo Fernandes tem 44 anos, é natural de Pedrógão Grande e empresário de animação turística e diversões. Foi membro, entre 2013 e 2019, da Assembleia Municipal de Pedrógão Grande, eleito como independente pelo PSD. Renunciou ao mandato para ingressar no Chega e foi cabeça de lista pelo círculo eleitoral de Leiria nas últimas legislativas. Conselheiro nacional e líder da distrital, é ainda presidente da Associação dos Profissionais Itinerantes Certificados

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