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Cultura

Materiais Diversos aproxima-se e traz um concerto de Surma no coreto de Minde ao lusco-fusco

O festival de artes performativas está na reta final e propõe um conjunto de conversas, visitas, espetáculos até domingo.

Experimentar é a molécula vital no ADN do Materiais Diversos. “A coisa que mais gosto é sentir que em cada festival estou a arriscar um bocadinho a pele”, assume Elisabete Paiva, diretora do festival que começou no Cartaxo, passa por Alcanena e chega a Minde este fim de semana, encostando “a cabeça no ombro” do distrito de Leiria, em Mira de Aire.

Nesta edição, o risco foi investido na programação em que as conversas assumem protagonismo considerável num ecossistema habituado a respirar teatro, performance ou dança. “Foi bastante arriscado”, assume a diretora.

Mas a vontade de desafiar formatos e caminhos novos falou mais alto. Na reta final, Materiais Diversos aproxima-se de Leiria para inspirar o encontro entre Minde e Mira de Aire, vilas que bordejam o polje e que procuram esquecer uma história de desafeto. Até domingo há conversas – claro -, uma instalação, caminhadas, piquenique e um concerto. Tudo preparado em torno da desaceleração, inscrição, pluralidade e acessibilidade, conceitos que enformam esta edição.

Nestes últimos dias de festival, aqui mais próximo de nós, destaque para a conversa desta sexta-feira (18h30), no Espaço Jazz, em Minde, sobre “Haverá outro mundo depois deste?”. Em cima da mesa, os problemas ambientais. Sábado, dia 16, à mesma hora e no mesmo espaço, debate-se “O que é isso da transição?”. O tema é a mudança ecológica, sustentável e digital que se deseja para o território de Minde e Mira de Aire.

Ainda sexta-feira à noite é inaugurada na Fábrica Cultura de Minde a instalação “Subterrâneo”, de Bruno Caracol, criada a partir do conto “Fragmento de história futura”, de Gabriel Tarde, onde se especula sobre uma sociedade pós-apocalíptica, “uma humanidade reduzida a uma reduzida comunidade que é forçada a regressar às cavernas para se reorganizar e para viver”, recorda Elisabete Paiva. Para a criação, o artista mergulhou na Serra de Aire, recolhendo sons, imagens e testemunhos. Sábado e domingo (10 horas) há visitas que cruzam a instalação com o polje de Mira-Minde.

A fechar o festival, domingo (18h30), Surma dá um espetáculo no coreto de Minde. “Vamos fazê-lo a caminho do lusco-fusco, com uma intervenção de desenho de luz e cenográfica”, diz a diretora do festival. Ao fim da tarde será desvendado algum do material do próximo disco. “Surma diz que o melhor concerto que deu foi no coreto de Cem Soldos. Esperamos que, uns anos depois, volte a encontrar ali um bom motivo para dar ali um grande concerto”. Mais informações em 2021.materiaisdiversos.com.

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