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Caldas da Rainha

População dos Rostos, nas Caldas da Rainha, em protesto contra encerramento da Unidade de Saúde

O presidente da Junta de Freguesia vai reunir, na próxima sexta-feira, com a direção do Agrupamento de Centros de Saúde Oeste Norte.

Cerca de meia centena de pessoas concentraram-se hoje junto à Unidade de Saúde de Rostos, no concelho das Caldas da Rainha, em protesto contra o encerramento do único posto de saúde da freguesia.

A população da localidade exige a reabertura da única Unidade de Saúde da freguesia do Landal, no concelho das Caldas da Rainha, no distrito de Leiria, encerrada no início do mês, depois de nos últimos cinco meses ter estado por várias vezes fechada por falta de médicos.

O protesto coincidiu com uma conferência de imprensa conjunta do presidente da Junta de Freguesia do Landal, Armando Monteiro, e do deputado social-democrata Hugo Oliveira, eleito pelo distrito de Leiria, que desde junho tem questionado a ministra da Saúde, Marta Temido, sobre “o esvaziamento de serviços” daquela unidade que “não responde às necessidades da população”.

Na sequência das perguntas efetuadas pelos deputados do PSD na Assembleia da República e dos esforços da Junta de Freguesia do Landal e da Câmara das Caldas da Rainha “foi feito um protocolo entre a Câmara, a Misericórdia e o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Oeste Norte para que fosse aqui colocado um médico da Misericórdia, no início de outubro”, afirmou Armando Monteiro.

Porém, o médico nunca chegou e no início deste mês a Unidade de Saúde acabou por ser encerrada “por ordem do ACES Oeste Norte, com base num relatório que indicava uma suposta infestação de baratas”, acrescentou o autarca.

Na conferência de imprensa, quer Armando Monteiro quer Hugo Oliveira consideraram que a Unidade de Saúde “foi encerrada com recurso a um expediente”, que recusam aceitar, já que “se se tratasse de uma infestação seria resolvida por uma empresa especializada”.

“O que está aqui verdadeiramente em causa é a falta de organização do ACES, para não usar a palavra incompetência, e a incapacidade de colocar um médico nesta unidade”, vincou Hugo Oliveira, prometendo à população que continuará “a questionar o Ministério [da Saúde] porque é impensável aceitar este encerramento”.

“Não nos vamos calar”, garantiram os populares durante o protesto, no qual partilharam com o deputado as dificuldades criadas pelo encerramento do posto, obrigando-os a recorrerem ao Centro de Saúde das Caldas da Rainha (a cerca de 25 quilómetros), do Bombarral (a cerca de 22 quilómetros) ou da Nazaré (a 55 quilómetros).

O presidente da Junta de Freguesia anunciou hoje que se reunirá na sexta-feira com a direção do ACES para exigir a reabertura da unidade para a qual reclamam “um médico, um enfermeiro e um administrativo”.

“A junta está disponível para assegurar o pagamento do vencimento da administrativa”, acrescentou o autarca.

Armando Monteiro lembrou ainda que recentemente a Junta de Freguesia “fez um investimento de 12.500 euros na melhoria das condições da Unidade de Saúde”, incluindo a conservação do edifício, a construção de uma rampa de acesso para pessoa com deficiência motora, climatização dos gabinetes e a colocação de vidro temperado no balcão de atendimento.

Perante a população, o autarca disse hoje recusar qualquer cenário que não passe pela reabertura da unidade, admitindo “avançar com ações de protesto junto ao Centro de Saúde das Caldas da Rainha, dessa vez com muito mais gente, nem que tenham que se fretar dois ou três autocarros”.

Segundo os dados oficiais do Ministério da Saúde, divulgados pelo deputado Hugo Oliveira, a Unidade de Saúde de Rostos conta com 472 utentes inscritos.

O presidente da junta assegura que esse número “resulta do esvaziamento que as entidades oficiais têm tentado fazer na unidade, onde há meses que não são aceites inscrições”, e garante que se reabrirem as inscrições, o número de utentes da unidade poderá ultrapassar as mil pessoas.

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