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Pedrógão Grande

Grupo lança movimento de apoio a comandante dos Bombeiros de Pedrógão Grande

Iniciativa acontece na sequência do julgamento que está a decorrer sobre o incêndio de Pedrógão Grande em 2017, em que António Arnaut é arguido.

Mais de 1.500 utilizadores já estão a seguir o Movimento Apoio ao Comandante Augusto Arnaut #somostodosaugusto, criado esta semana na rede social Facebook, para demonstrar apoio ao comandante dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande, na sequência do julgamento do caso do incêndio de Pedrógão Grande, em 2017, que o coloca no banco dos réus.

“O nosso principal foco é demonstrar que numa tragédia como a que aconteceu, e sendo um fenómeno da natureza, não vale tudo para encontrar um culpado. Muito menos sendo o comandante de Pedrógão Grande que fez de tudo para evitar a tragédia que foi. Queremos alertar todos para a injustiça que paira sobre o Augusto [Arnaut]. E acima de tudo demonstrar a todo o país que Pedrógão Grande está com o comandante. Sempre!”, explica ao REGIÃO DE LEIRIA Miguel Faria, um dos administradores do movimento.

A adesão da população ao movimento foi “excelente”, entende Miguel Faria, que também já desempenhou funções como soldado da paz, e o objetivo é continuar a “demonstrar o apoio, carinho e a injustiça que estão a carregar nos ombros dos homens que têm menos responsabilidades”.

Entre os seguidores do movimento estão vários responsáveis de corporações do distrito e operacionais da Proteção Civil.

“Viu alguém com responsabilidade distrital e nacional ser acusado? Esteve lá no inicio? Esteve lá nas horas seguintes? Era impossível alguém conseguir controlar aquele inferno. Estive calado, sou anónimo, mas sou pedroguense! Chegou a altura de dizer chega! Não vale tudo, é essa a nossa indignação”, acrescenta.

O movimento surgiu dias depois de ter sido lançado um outro apelo, também nas redes sociais, de solidariedade com todos os bombeiros portugueses, tendo como ponto de partida o caso de Pedrógão Grande: “Vivemos uma altura em que nos temos de juntar todos e demonstrar o nosso apoio ao Comandante Augusto Arnaut, mostrar que ele e todos os bombeiros envolvidos não estão sozinhos. Pedimos a todos que coloquem uma Bandeira de Portugal nas janelas, varandas ou portas de casa, nos vossos carros!! Vamos criar uma onda de compaixão, apoio e orgulho nos bombeiros portugueses, e em especial nos bombeiros e no comandante que estão a ser julgados por algo que não cometeram!!!”, lê-se na página de Facebook “Diário de um Bombeiro”.

Certo é que há vários exemplos de portugueses, na região e não só, que aderiram ao pedido de colocar bandeiras nas janelas, e o próprio Movimento de Apoio a António Arnaut também aderiu à iniciativa, ainda que lembre que o foco principal da iniciativa seja para “demonstar a injustiça que está a ser feita” com o responsável dos soldados da paz de Pedrógão Grande.

Em causa no julgamento, que está a decorrer no Tribunal Judicial de Leiria, estão crimes de homicídio por negligência e ofensa à integridade física por negligência, alguns dos quais graves. No processo, o Ministério Público contabilizou 63 mortos e 44 feridos quiseram procedimento criminal.

Os 11 arguidos são o comandante dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande, então responsável pelas operações de socorro, dois funcionários da antiga EDP Distribuição (atual E-REDES) e três da Ascendi (que tem a subconcessão rodoviária Pinhal Interior), e os ex-presidentes da Câmara de Castanheira de Pera e de Pedrógão Grande, Fernando Lopes e Valdemar Alves, respetivamente.

O presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos, Jorge Abreu, também foi acusado, assim como o antigo vice-presidente da Câmara de Pedrógão Grande José Graça e a então responsável pelo Gabinete Florestal deste município, Margarida Gonçalves.

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