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Música

O sonho de Maria Novais e José Guilherme está a ganhar asas na Jovem Orquestra Portuguesa

Os dois alunos do Orfeão de Leiria foram admitidos na formação que projeta o novo talento nacional. Em agosto vão atuar na famosa Konzerthaus de Berlim.

Orfeão de Leiria/Sérgio Claro

Dois jovens músicos de Leiria estão a viver um sonho. José Guilherme Neves, tubista, e Maria Novais, trombonista, são esta temporada elementos efetivos na Jovem Orquestra Portuguesa (JOP), iniciativa da Orquestra de Câmara Portuguesa que junta talentos nacionais selecionados por critérios de excelência, talento e potencial e que procura levar ao mundo o que de melhor se faz em Portugal na música.

Os dois alunos do Orfeão de Leiria querem fazer carreira na música e, no final do ano passado, deram mais um importante passo nesse sentido, com a seleção para a JOP. Meio ano decorrido sobre o início da experiência, assumem orgulho e prazer por fazerem parte do projeto, que tem como maestro o conceituado Pedro Carneiro.

“É um orgulho muito grande”, conta Maria Novais, 18 anos, sobre a participação na JOP, que sentiu “uma enorme alegria” quando recebeu o e-mail a informar da admissão, no final de 2021. “Não é fácil entrar neste tipo de orquestras. Em Portugal há muito boas orquestras, mas a JOP tem uma vasta reputação e tem tido feito concertos incríveis, em salas de grandes orquestras pela Europa”, realça a trombonista, que iniciou estudos na filarmónica do Soutocico, de onde é natural, e estudou depois no Conservatório de Fátima, antes de, há três anos, se mudar para o Orfeão de Leiria.

José Guilherme Neves, 17 anos, já tinha sido sido aprovado para a JOP antes. “Fiz provas em 2020 – online, entrei, mas acabei por não ser chamado, porque o repertório não incluía tuba”. Este ano o cenário mudou, com a integração em 2021/2022.

“Fiquei extremamente feliz porque estou numa cidade que tem muita atividade de bandas, mas não é como na orquestra sinfónica, com cordas, mais sopros e às vezes percussão, [formações] em que gosto muito de tocar”, explica o tubista, que considera ser “extremamente gratificante” fazer parte “de uma orquestra de renome – e ser o único tubista aceite como efetivo também é espetacular”. 

Ambos tiveram também oportunidade, durante o festival Música em Leiria, de tocar em Leiria na primeira atuação da JOP na cidade, no passado dia 14 de abril.

A experiência marcou Maria Novais, que lembra o prestígio do festival do Orfeão de Leiria. “Sempre fui ver concertos do festival, que traz nomes incríveis a Leiria. Ter dois alunos do Orfeão a tocar no festival com a JOP é sempre bom!”, realça a trombonista, que no Teatro José Lúcio da Silva sentiu-se “mais confortável” a atuar perante “caras conhecidas, numa sala conhecida”.

Para José Guilherme Neves, já com nove anos de estudos no Orfeão e anteriores presenças no festival, foi um concerto especial. “Tocar em Leiria é sempre muito bom. Foi o primeiro concerto da JOP em Leiria e fazer o primeiro concerto com eles na minha terra, deixa-me feliz”.

Em todo o caso, refere o músico, qualquer concerto com a formação garante “sempre um enorme prestígio”:

“Estou com outros jovens que têm as mesmas ambições que eu”, sendo motivante “fazer música com pessoas que já têm um futuro mais ou menos definido na música” e que “estão ali para dar tudo em cada concerto”. 

Para Maria Novais tem sido uma experiência estimulante, tanto pela qualidade como pelos métodos. “Já fui chamada para dois encontros, no Natal e na Páscoa, e temos ioga e meditação de manhã. É uma abordagem bem diferente”.

Agora, os dois músicos de Leiria aguardam com ansiedade o próximo desafio da JOP, no verão: ir até Berlim, tocar na famosa Konzerthaus, no dia 9 de agosto.

“É um sonho que vai ser tornado realidade. São sempre salas com imenso nome e só os grandes vão lá”, frisa Maria Novais, que depois de ter iniciado estudos na música aos sete anos na banda do Soutocico se preparada para pisar um dos principais palcos mundiais.

Já José Guilherme Neves, depois de ter tocado tuba na Bélgica e na Holanda em anteriores experiências internacionais, admite estar elevada expetativa para o concerto de Berlim:

“Em Bruxelas e em Amsterdão foi uma adrenalina bastante diferente do que aquela a que estou habituado aqui [em Portugal]. Estou em ‘pulgas’ e extremamente ansioso pelo concerto. E, obviamente, espero que vá ser um concerto muito bom”. 

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