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Décimo episódio do podcast “Rádio Diz-Que-Disse” foi gravado ao vivo na FNAC Leiria. As redes sociais foram o tema em destaque.

foto dos intervenientes do último episódio da Rádio Diz Que Disse no palco da FNAC Leiria
Patrícia Ervilha, Cristina Simões, Patrícia Duarte, Olga Pamplona e Artur Ferraz Joaquim Dâmaso

Nas redes sociais somos uma “marca” e a grande questão é: sabemos geri-la? Temos consciência que uma frase ou imagem podem condicionar o nosso acesso a um emprego? Estas questões surgiram durante o 10º e último programa do podcast “Rádio Diz-Que-Disse”, criado pelo REGIÃO DE LEIRIA, que teve como mote outra questão: “Redes sociais no trabalho: uso ou abuso?”, já disponível aqui.

Para a consultora de gestão de pessoas, Patrícia Ervilha, “as regras de utilização têm de estar refletidas no código de conduta das organizações”, distinguindo as redes sociais da empresa e o uso das pessoais durante o tempo de trabalho.

Isto porque, como explicou Artur Ferraz, também consultor de gestão de pessoas, “as organizações devem dizer as regras de uma forma aberta e transparente, de maneira a que os colaboradores saibam à partida aquilo com que podem contar”. Em relação às redes sociais, “como à definição de pausas e do tipo de vestuário, as empresas devem transmitir ao colaborador, ao ser contratado, a imagem que querem fazer chegar aos clientes”, reforçou Cristina Simões, do Instituto Superior Dom Dinis (ISDOM).

Na perspetiva de Olga Pamplona, da Randstad Portugal, “as redes sociais são uma ferramenta de trabalho” e hoje “é impossível não misturar uma rede profissional e uma pessoal, até porque estão interligadas”.

Apesar disso, não lhe parece que “possa haver um código de conduta imposto à utilização da rede social pessoal”, embora constate que “as pessoas ainda não têm a noção do impacto do que publicam, por exemplo, no momento de serem contratadas”. “O limite das publicações é o ponto em que influenciam [negativamente] a função da pessoa, a marca e o posicionamento da empresa”, e o profissional e a empresa “têm de ter a noção do impacto e do alcance do que publicam e das eventuais consequências”, adianta.

Para realçar a importância deste tema, Olga Pamplona salientou que “hoje, individualmente, quando estamos a comunicar numa rede social, temos de definir o nosso posicionamento, qual a nossa imagem de marca, qual queremos defender, porque, enquanto profissionais, temos de começar pela marca pessoal”.

Estes cuidados também foram analisados por Cristina Simões, quando referiu que “uma pessoa deve ter o cuidado de nunca publicar algo demasiado pessoal, de não evidenciar um conflito ou uma personalidade difícil; e também pode usar o perfil como marketing e autopromover-se antes de uma entrevista de emprego”.

Por outro lado, “se o trabalhador desabafa e diz mal da empresa nas redes sociais, algo está mal e cabe também à organização saber a causa e motivá-lo, porque um colaborador satisfeito não critica nas redes sociais”.

Que as “redes sociais condicionam a maneira de pensar”, Artur Ferraz não tem dúvida, agora o que “teme” é que “as pessoas, as organizações e os estados não estejam, efetivamente, a ter uma atitude amadurecida perante aquilo que está a acontecer e se isto vai ter impacto positivo na sociedade daqui a meses ou anos”.

Em qualquer caso, como disse Patrícia Ervilha, “a proibição não é a melhor forma de trabalhar, é preferível regrar” o uso das redes sociais. “Tem de haver uma definição dos espaços público e pessoal, comunicação, formação e transparência, um valor fundamental, porque rapidamente se descobrem contradições ou erros”.

O último programa desta série da “Rádio Diz-Que-Disse”, gravado com assistência, na quinta-feira, dia 28, na FNAC, no LeiriaShopping, está disponível no site do jornal, em www.regiaodeleiria. pt, e também nas plataformas Spotify, Google Podcasts e Apple Podcasts.

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