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Câmaras do norte do distrito afirmam que Lusiaves não teve “vontade genuína” de investir no território

Esta semana, o grupo empresarial comunicou que vai desistir dos projetos que anunciou depois dos incêndios de Pedrógão Grande.

foto da fachada do edifício da câmara de Figueiró dos Vinhos

A Câmara de Pedrógão Grande revelou hoje que o preço que o Grupo Lusiaves avançou para a compra de terrenos para concretizar o investimento de vários milhões de euros anunciado na sequência dos incêndios de 2017 foi “muito baixo”.

“Pelas informações que tenho, os preços que o Grupo Lusiaves avançou para a compra dos terrenos foi muito baixo”, disse à agência Lusa o presidente do Município, António Lopes, eleito em setembro passado.

Segundo António Lopes, além da questão do preço, “a localização era próxima da vila” de Pedrógão Grande, sendo que “houve também alguma resistência de uma parte da população, que manifestou desagrado por eventuais consequências ambientais do investimento”.

Também a Câmara de Figueiró dos Vinhos rejeita que, no seu concelho, tenha sido o PDM a inviabilizar o investimento do Grupo Lusiaves.

“Infelizmente, é sem surpresa que recebemos essa notícia. No caso concreto de Figueiró dos Vinhos, não foi, com toda a certeza, nenhuma questão relacionada com o PDM que inviabilizou o investimento neste concelho”, disse o presidente do Município, Jorge Abreu.

Em declarações à agência Lusa, Jorge Abreu salientou que “o apoio do Município foi total e os terrenos apresentados e a sua localização ofereciam todas as condições necessárias ao investimento”, assinalando que, “nesses mesmos terrenos, está hoje em fase de conclusão um investimento industrial, de capital estrangeiro, que corresponde ao maior investimento privado de sempre neste concelho”.

“Perante os factos, só podemos concluir que aquilo que era uma perceção nossa, na realidade, veio a revelar-se um facto: a Lusiaves não teve uma vontade firme e genuína de investir nestes territórios”, considerou o autarca.

Na quarta-feira, fonte da empresa, sediada em Leiria, explicou que, “na sequência da celebração do Memorando de Entendimento em que o Grupo Lusiaves demonstrou disponibilidade para construir unidades de produção nas zonas afetadas pelos incêndios durante o verão de 2017, nomeadamente em Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, foram identificados, em cada um daqueles concelhos, vários terrenos que o Grupo Lusiaves considerou terem as características adequadas à instalação daquelas unidades”.

A mesma fonte adiantou que, “devido a não terem sido afastados os constrangimentos em matéria de ordenamento do território que existiam para aqueles terrenos, nomeadamente no que respeita aos PDM [planos diretores municipais] e aos planos municipais de defesa da floresta contra incêndios, o Grupo teve de procurar localizações alternativas onde pudesse realizar aqueles investimentos”, tendo sido “identificados terrenos com potencial para tal em Oleiros, Proença-a-Nova [ambos distrito de Castelo Branco] e Góis [Coimbra]”.

Os incêndios que deflagraram em junho de 2017 em Pedrógão Grande e que alastraram a concelhos vizinhos, sobretudo Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, provocaram a morte de 66 pessoas, além de ferimentos a 253 populares, sete dos quais graves. Os fogos destruíram cerca de meio milhar de casas e 50 empresas.

Dois meses depois dos incêndios, a Lusiaves anunciou que iria investir 64 milhões de euros naqueles três concelhos, criando ao todo 300 postos de trabalho, na produção de ovos para incubação e aves.

Com Lusa

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