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Cultura

A história do Lagar Velho contada em Leiria pelos ossos dos seus bichos

A exposição “Ossos do nosso ofício, animais da nossa história. O Lagar Velho contado pelos seus bichos” pode ser vista a partir de sábado, 1 de junho, no Museu de Leiria, Centro de Interpretação Ambiental e avenida Heróis de Angola.

A pantera é um dos animais que frequentou o Abrigo do Lagar Velho, provavelmente para se alimentar de restos de comida. O trabalho de ilustração científica feito a partir dos ossos dos animais encontrados no abrigo é um dos destaques de “Ossos do nosso ofício, animais da nossa história. O Lagar Velho contado pelos seus bichos”, que é inaugurada no sábado no Museu de Leiria, Centro de Interpretação Ambiental de Leiria e Avenida Heróis de Angola Imagens: Nuno Farinha (ilustração) e Ramon Álvarez (ossos recuperados nas escavações arqueológicas)

Veados, coelhos, esquilos, cavalos-selvagens mas também auroques, abutres quebra-ossos e até panteras frequentaram o Abrigo do Lagar Velho, em Santa Eufémia, onde foi encontrada a criança do Lapedo. As escavações arqueológicas ao longo dos anos encontraram e documentaram cerca de seis mil ossos desses animais, entre mamíferos, aves, peixes, anfíbios e répteis.

A par da relevância reconhecida ao esqueleto humano e a todo o contexto fúnebre, há muita história por contar a partir desse testemunho animal, agora partilhada em “Ossos do nosso ofício, animais da nossa história. O Lagar Velho contado pelos seus bichos”.

Desse enorme e diversificado espólio reunido dá-se “voz” aos animais. Neste projeto do município de Leiria, conta-se o que comiam os nossos antepassados do Paleolítico Superior, mas também as espécies que frequentaram o abrigo e fica-se com uma ideia das paisagens que caracterizavam o Vale do Lapedo ao longo dos cerca de 10 mil anos de ocupação do Lagar Velho.

“Considerou-se que esta coleção, tão fabulosa, devia ser do conhecimento do público”, salienta o município, em resposta ao REGIÃO DE LEIRIA.

“Pretende-se mostrar a enorme diversidade de animais que outrora existiu na região de Leiria, em particular no Vale do Lapedo, durante o período de ocupação do Abrigo”, refere a informação municipal, onde se sublinha, também, o alerta que a exposição representa:

“Muitas destas espécies já desapareceram do nosso território, em parte por responsabilidade da espécie humana, que destruiu os seus habitats. Pretende-se que seja um exercício pedagógico e, simultaneamente, um alerta para as circunstâncias atuais do planeta. A natureza é o nosso maior abrigo e amigo”.

“Ossos do nosso ofício, animais da nossa história. O Lagar Velho contado pelos seus bichos” é apresentada a partir de sábado, dia 1, em três núcleos: na Avenida Heróis de Angola (onde é inaugurada, às 15h30) surgem ilustrações científicas de grande dimensão destes animais, com ilustração de Nuno Farinha – e 16 estabelecimentos comerciais da avenida vão oferecer aos clientes material para realizar origamis com a forma dos animais do Lapedo; no Museu de Leiria vão estar ilustrações científicas, fotografias de ossos e outros vestígios relativos à fauna, enquadrados por textos e infografias; e no CIA – Centro de Interpretação Ambiental de Leiria vai ser possível visitar uma recriação da paisagem da região à época e frequentar serviços educativos específicos.

Mais tarde ficará disponível um site com os diversos conteúdos associados à exposição, que faz parte das comemorações dos 25 anos da descoberta do Abrigo do Lagar Velho e da Criança do Lapedo. Ainda no sábado, às 17 horas, o CIA acolhe uma conversa sobre as paisagens pré-históricas do Vale do Lapedo, com a equipa de investigação do Abrigo do Lagar Velho, Ana Cristina Araújo, Ana Costa – ambas comissárias da exposição -, Joan Daura e Montserrat Sanz.

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