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Leiria dinamiza oficina de tecnologias digitais para seniores

A maioria dos idosos não tem acesso à internet e os que têm possuem dificuldades em utilizá-la. Tendo presentes as vantagens das tecnologias, o m|i|mo vai desenvolver uma oficina digital este mês.

É uma experiência piloto e materializa-se no próximo dia 26 de junho. O Museu da Imagem em Movimento (m|i|mo), em Leiria, vai realizar uma oficina de tecnologias digitais para seniores, limitada a 12 participantes.

A ideia surgiu da Santa Casa da Misericórdia de Leiria, que desafiou o m|i|mo a ensinar os utentes da universidade sénior a usar as tecnologias, mais especificamente o telemóvel. Considerando a “importância da inclusão digital e cultural para que os adultos seniores possam participar plenamente na sociedade” e os benefícios da tecnologia, “para melhorar a qualidade de vida, promover o bem-estar individual e social, combatendo o isolamento”, o Museu decidiu desenvolver uma sessão aberta à comunidade e que pretende contribuir para o desenvolvimento de competências básicas na utilização de telemóveis e ferramentas de edição de imagem e vídeo, para pessoas com mais de 65 anos.

Tirar e mandar uma fotografia pelo WhatsApp, fazer e editar um vídeo, criar uma animação com fotografias e utilizar a lente do telemóvel para identificar plantas, por exemplo, são algumas das “tarefas” que vão ser ensinadas aos participantes. A sessão acontece às 14 horas e as inscrições devem ser feitas através do email mimose@cm-leiria.pt ou do contacto 244 839 675.

Maioria dos idosos não tem acesso à internet

Para Ricardo Pocinho, presidente da Associação Nacional de Gerontologia Social (ANGES), este tipo de iniciativas são muito importantes e é preciso apostar nelas, até porque a maioria da população desta faixa etária não tem acesso à internet. E vários estudos comprovam que “as pessoas estão mais incluídas socialmente se tiverem conhecimentos tecnológicos”.

Um estudo publicado no Journal of the American Geriatrics Society, no ano passado, sugere também que os idosos que utilizam regularmente a internet têm menos probabilidades de desenvolver demência. “O envolvimento online pode ajudar a desenvolver e a manter a reserva cognitiva, o que, por sua vez, pode compensar o envelhecimento do cérebro e reduzir o risco de demência”, explicou Chang, professora da faculdade de Saúde Pública Global da Universidade de Nova Iorque.

Mas para que o acesso à internet possa aumentar, é preciso que “haja a possibilidade de aceder a equipamentos tecnológicos a um valor reduzido ou até mesmo de forma gratuita”, salienta Ricardo Pocinho, acrescentando a importância de serem disponibilizados “serviços de internet como a banda larga, para ser utilizada em qualquer lugar”.

A realidade no Laboratório Internacional de Estudos sobre o Envelhecimento, em Pombal, que Ricardo Pocinho coordena, revela que “apenas 10%” dos 113 participantes na oficina de tecnologias consegue ir para casa e continuar a utilizar a internet, porque os restantes não têm meios para isso.

A impossibilidade de aceder à internet também impossibilita, muitas vezes, a realização contínua de atividades, na medida em que os idosos não se conseguem deslocar aos locais, por motivos vários, e também não têm internet em casa para se conectarem e fazerem os exercícios, frisa o responsável.

No entanto, há o lado reverso da moeda no que diz respeito à internet: as pessoas ficam mais suscetíveis a burlas online, partilha de notícias falsas. Por isso, remata Ricardo Pocinho, uso da tecnologia sim, mas “com controlo”.

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