“Todos os recursos humanos e logísticos estão canalizados para o apoio às populações e empenhados em minimizar, o mais possível, os graves danos causados por esta tempestade”. Por esse motivo, o Município decidiu cancelar todas as festividades relacionadas com o Carnaval de Figueiró dos Vinhos, devido à situação de calamidade decretada após a destruição causada pela passagem da depressão Kristin.
“O nosso pensamento está constantemente com todas as famílias que sofreram estas perdas, com aqueles que viram os seus bens danificados e com todos os que enfrentam o desalento causado por esta intempérie”, acrescenta a autarquia.
Na terça-feira, o último balanço dava conta de 440 habitações a precisar de intervenção e a autarquia apelava ao apoio urgente de empresas e particulares com plataformas elevatórias telescópicas e operadores habilitados para ajudar na reparação das coberturas das habitações.
Numa primeira fase, o trabalho passou, pela limpeza de vias e Carlos Lopes salienta: “Com os nossos meios e só com os nossos meios removemos todos os obstáculos que impediam a circulação de pessoas e de viaturas”.
Depois foi tempo de apelar ao Governo para ir ao terreno e enviar forças militares.
O Exército está desde dia 30 no concelho a montar lonas em edifícios que ficaram parcialmente destruídos, assegurando o carregamento, transporte e montagem de lonas, a partir de uma empresa em Vila Nova de Famalicão.
As lonas destinam-se à reparação provisória de coberturas em edifícios afetados, ação executada por equipas especializadas de trabalhos em altura da Engenharia do Exército.
“Estamos a procurar resolver as questões de uma forma provisória, porque é completamente impossível, neste momento, pensar-se em soluções definitivas”, afirmou o autarca Carlos Lopes.

Na última semana, a Câmara realojou quatro pessoas, mas “houve muitos mais desalojados, que ficaram com familiares e vizinhos”, acrescentou.
Uma empresa ficou “completamente destruída, a Eurovegetal”, até segunda-feira à noite, mais 20 empresas não conseguiram laborar por falta de energia elétrica.
“Desde ontem [segunda-feira] à noite que conseguimos um gerador para alimentar a nossa zona industrial, que não é muito grande”, contou.
Desde o dia 28 que se encontra no concelho uma equipa da E-Redes “em trabalho contínuo e permanente, no sentido de restabelecer a energia elétrica o mais rapidamente possível”, estando as reparações a ser feitas por fases.
Terça-feira, 40% do concelho ainda não tinha energia elétrica.
Foram já finalizadas “as reparações mais simples das linhas de Média Tensão que permitiram que alguns locais de Aguda e Figueiró dos Vinhos recuperassem a energia elétrica”. “Os restantes locais do concelho sofreram danos muito graves nas Linhas de Média Tensão e Baixa Tensão, tornando a sua reparação difícil e demorada, não havendo por isso previsão para o restabelecimento total da energia elétrica em todo o concelho”, explicou a autarquia, em comunicado.
Os maiores constrangimentos situavam-se em Arega, Bairradas e Campelo, estando a ser feito “um esforço ininterrupto para que a E-Redes disponibilize um gerador por freguesia”, que assegure os serviços essenciais.
Recorde-se que Carlos Lopes chegou a falar com a comunicação social por telefone satélite dos bombeiros, no dia seguinte ao temporal, lamentando o esquecimento a que o concelho foi deixado.
“Estamos completamente isolados. Figueiró dos Vinhos considera-se completamente isolado do resto do distrito, da região e do país”, declarou, apelando para que o Governo “olhe para este território” e equacionasse a possibilidade de decretar o estado de calamidade.
A Câmara anunciou também que a piscina municipal será destinada “para utilização exclusiva dos balneários para banho quente destinados a quem não tenha energia na habitação.
É no quartel dos Bombeiros de Figueiró dos Vinhos que está centrado o comando de operações. Por estes dias foi transformado numa espécie de loja do cidadão e já recebeu mais de 400 pedidos de ajuda.