Quase dois terços dos 2.800 alunos do Agrupamento de Escolas Marinha Grande Poente regressaram hoje às aulas, depois de a depressão Kristin ter tornado inviável a atividade letiva. Mas, “depois disto, nada será como dantes”, explica Cesário Silva, diretor do agrupamento.
Esta quinta-feira, uma semana e um dia depois da tempestade que rasgou o concelho com ventos de invulgar violência, quatro das dez escolas do agrupamento abriram portas, recebendo cerca de 1.700 alunos. Em concreto, foi nas escolas básicas de Casal de Malta, Francisco Veríssimo e da Moita, bem como na maior escola do concelho, a Escola Secundária Acácio Calazans Duarte, que a atividade letiva foi retomada.
O mesmo sucedeu no Agrupamento de Escolas Marinha Grande Nascente, com o regresso às aulas, em concreto, nas escolas do Engenho e Nery Capucho, sendo que esta última recebe também os alunos do jardim de infância de Picassinos.
Cesário Silva, diretor do Agrupamento de Escolas Marinha Grande Poente, fala numa “luta permanente”, resumindo o esforço de conseguir a reabertura que, se tudo correr bem, acontecerá em duas outras escolas do agrupamento já nesta sexta-feira e nas restantes na segunda-feira. Uma reunião agendada para esta tarde determinará se existem condições para cumprir esse objetivo, aponta.
Para já, o regresso às salas de aula marca o retorno a uma réstia de normalidade. “É um misto de sensações: alegria por poder reabrir e ajudar a virar a página, mas estamos muito preocupados com os impactos que esta situação possa ter”. Os últimos dias foram duros e continuam a sê-lo para muitos. Em alguns aspetos, com exigências que suplantam as sentidas na pandemia.
Cesário Silva tem isso bem presente, referindo que a escola acolheu os alunos também com a possibilidade de apoio psicológico. Os impactos desta situação excecional e exigente são motivo de preocupação. “Depois disto, nada será como dantes, nomeadamente no que diz respeito aos pânicos, medos e receios associados às tempestades e aos ventos, mas é preciso retomar a normalidade”, afirma o responsável máximo do agrupamento.
Para além da função central educativa, as escolas são fulcrais no processo de normalização da vida quotidiana, depois de um embate singularmente disruptivo. Para os pais e as famílias, mas também para o tecido económico, por exemplo, as escolas são essenciais. “Sem normalizarmos o funcionamento das escolas, os outros setores tendem a demorar mais tempo” a recuperar.
A onda de choque da depressão vai durar. No agrupamento, há escolas com diferentes níveis de destruição. O pavilhão da Escola Básica Guilherme Stephens é, porventura, o caso mais visível.
Na comunidade estudantil, há também diversidade ao nível dos impactos. Com populações ainda com diferentes graus de acesso a bens essenciais, como são a água e a luz, Cesário Silva tem consciência de que, pelos portões da escola, entraram hoje alunos que, em casa, continuam sem nenhum dos dois. “Estarem a regressar à escola, ter acesso a comunicações, estarem num espaço com luz, poderem tomar uma refeição quente, é também um incentivo para se ir abrindo as escolas”, enfatiza.
E ela acontece na sequência da visita do ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, que esteve ontem no concelho a constatar a situação dos estabelecimentos de ensino, incluindo as escolas de Vieira de Leiria, “as mais atingidas pelo mau tempo”, aponta o município.
A autarquia da Marinha Grande adianta que foi a confirmação das condições de segurança, por parte de equipas técnicas municipais e da Proteção Civil, que permitiu o regresso às escolas.