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Instituições de Leiria retomam atividades em lares e centros de inclusão a pouco e pouco

Cenário “desolador” obrigou a ajustar serviços da Cercilei, Os Malmequeres, APPDA-Leiria e Casa de Acolhimento na Marinha Grande. Edifício do Centro Distrital de Segurança Social de Leiria também foi afetado pela depressão.

A depressão Kristin também bateu à porta da Cercilei, sediada nos Pinheiros,  Leiria, e não pediu licença para entrar. Deixou um rasto de destruição, de que a instituição teme recuperar dificilmente.

Cristina Meireles, presidente da direção, retratou ao REGIÃO DE LEIRIA, no início da semana, um cenário “desolador” e danos elevados, em particular no telhado. “Árvores de grande porta tombaram sobre o edifício, houve telhas que voaram, as caleiras foram arrancadas, há vidros partidos e chove em algumas salas”, contou.

Apesar do esforço dos funcionários para tentar minimizar os estragos, cortando árvores, repondo telhas e colocando lonas, a instituição ainda não reunia as necessárias condições de segurança apra funcionar em pleno.

“Sem o telhado arranjado, os vidros colocados e os espaços exteriores minimamente seguros, os nossos alunos não podem vir”, referiu a responsável, acrescentando que a reparação do telhado terá de ser executada por profissionais.

Por outro lado, na segunda-feira, a eletricidade ainda não tinha regressado.

Até a situação ficar normalizada, o que poderá suceder nos próximos dias, as equipas do CACI – Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão (antigo CAO) continuam a deslocar-se aos lares da instituição, em Amor e no Vale Sepal, onde residem 22 dos 120 formandos da Cercilei, promovendo diversas atividades.

Quanto aos restantes 98,“organizámo-nos para passar pelas casas das famílias que não conseguimos contactar e pô-los a par do que se está a passar”.

“Se tudo correr bem gostaríamos que para a semana voltasse ao funcionamento normal”, adiantou ao REGIÃO DE LEIRIA.

O lar de Amor também sofreu danos no telhado, que foi possível reparar, tendo sido ainda cedido um gerador para garantir o fornecimento de energia e água.

Com menos danos, o pólo de Porto de Mós já tinha água e luz no início da semana, o que lhe permitiu receber os jovens.

Retoma n’ “Os Malmequeres” prevista para segunda-feira

Também nos Pinheiros, “Os Malmequeres”, que também apoia jovens e adultos com deficiência inteletual, está fechada, estimando-se a retoma das atividades na segunda-feira, dia 9.

Segundo Edite Dinis, diretora técnica e presidente da instituição, além de uma carrinha que ficou inoperacional depois de ter ficado debaixo de uma árvore e de alguns danos no telhado, foi necessário proceder à limpeza do terreno envolvente tal a quantidade de materiais e estruturas que ali foram parar.

Além da reparação do telhado, que foi rápida, e da carrinha, era necessário garantir água e luz sem falhas constantes, bem como internet e comunicações que a instituição ainda não tem.

Os 17 utentes foram todos contactados e informados da situação, tendo “Os Malmequeres” divulgado ainda uma nota a disponibilizar apoio aos que necessitarem dada as dificuldades registadas nas comunicações.

APPDA-Leiria também sofreu danos

Também o CACI da Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo (APPDA) de Leiria, situada muito perto, permanecia encerrado na terça-feira, sem previsão de reabertura. No entanto, adianta a instituição receberam “os utentes de CACI, cujos pais sejam trabalhadores de serviços essenciais”.

De acordo com a informação divulgada pela instituição, a luz já tinha sido reposta mas a água continuava a falhar.

Ainda assim, foi possível, com recurso a um gerador disponibilizado pela Câmara de Leiria, garantir o funcionamento do lar residencial na sua totalidade, podendo ainda a APPDA-Leiria receber utentes cujos pais são trabalhadores de serviços essenciais.

Na mesma nota, a direção destacou ainda a mobilização de pais, familiares, vizinhos e amigos da APPDA de Leiria, “que se mobilizaram para a limpeza e corte de árvores caídas, na reparação de telhados e no abastecimento de água e bens alimentares”, bem como o empenho das trabalhadoras e o apoio de diversas entidades.

Casa de acolhimento evacuada na Marinha Grande

Segundo informação recolhida junto do Instituto da Segurança Social, várias estruturas residenciais para idosos e similares sofreram danos na sequência da depressão Kristin, que foram ultrapassados, sem necessidade de evacuações, à exceção da Casa de Acolhimento na Marinha Grande, que acompanha 12 crianças e jovens.

“O processo decorreu de forma célere e eficaz, e as crianças e jovens encontram-se bem e com todas as suas necessidades asseguradas”, explicou o ISS em resposta ao REGIÃO DE LEIRIA.

“Todas as casas de acolhimento de crianças e jovens, na região, foram afetadas com o impacto da tempestade. A perda de ligação à rede elétrica foi ultrapassada com o recurso a geradores. Em casos pontuais foi assegurada a entrega de refeições confecionadas e água potável”, acrescenta o ISS, referindo que foram também entregues géneros alimentares, pilhas e lanternas, com o apoio Cáritas Diocesana de Leiria.

Edifício da Segurança Social afetado

FOTO: Joaquim Dâmaso

No início desta semana, os danos sofridos no edifício da Segurança Social em Leiria estavam a ser avaliados.

Quanto aos serviços “funcionam com recurso a teletrabalho e mediante ocupação dos espaços dos serviços locais do Centro Distrital com ligações a internet, energia elétrica e água canalizada”, adiantou o ISS em resposta ao REGIÃO DE LEIRIA.

Há  ainda “equipas de intervenção em crise instaladas no Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil (CRS) de Leiria e no Comando Municipal de Leiria – Bombeiros Sapadores de Leiria.

Equipas no terreno desde o primeiro dia

 Logo no próprio dia da tempestade, “a Segurança Social iniciou uma visita a todas as IPSS e entidades de acolhimento a idosos e restantes pessoas vulneráveis, efetuando, até sexta-feira passada, dia 30 de janeiro, mais de 300 visitas, abrangendo mais de 16.500 pessoas”.

“Estas visitas iniciais permitiram identificar as necessidades mais prementes, designadamente, geradores e abastecimento de água, o que permitiu que, em articulação estreita com as autarquias, instalar, praticamente, a totalidade dos mesmos”, explica, acrescentando que estão a decorrer novas visitas, com os serviços de Saúde Pública “para as entidades que apresentam maiores fragilidades, quer em termos de condições físicas do edificado, quer em termos de recursos humanos, quer ainda no fornecimento de bens alimentares e outros produtos de higiene” de modo a ser garantida a sua entrega.

Face ao agravamento das condições climatéricas, com o aumento da intensidade da chuva, o Centro Distrital de Leiria da Segurança Social criou ainda  “uma equipa apenas dedicada ao apoio aos idosos isolados e vulneráveis, em articulação com a equipa de apoio a idosos da GNR e PSP que, entretanto, reforçaram os seus meios para esse efeito”.

Neste âmbito, várias equipas móveis têm ido ao encontro e prestado socorro a pessoas idosas ou em situação vulnerável,  sinalizadas pelas autarquias, esclarece o ISS.

FOTO: Joaquim Dâmaso


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